domingo, 9 de fevereiro de 2025

Liderança Narcisista tóxica nas igrejas

A cultura ocidental é uma cultura narcisista. Quando o narcisismo invade o espaço da família, do trabalho ou da vida da igreja o impacto é dramático e traumático.

Uma igreja liderada por um pastor narcisista é marcada por uma história dolorosa de pessoas que escolhem poder acima do amor e controle acima da cruz. São líderes que não sabem desenvolver relacionamentos próximos saudáveis. 

Pastores narcisistas são ansiosos e inseguros. Eles não guiam as ovelhas para águas tranquilas, mas para furacões. Por trás de uma liderança forte, pode haver medo de fracasso, vergonha intensa e vícios secretos. 

O poder mantém a vergonha e o medo sob controle por um tempo. A máscara narcisista é uma armadura de autoproteção que defende o ego frágil dentro dela, mas ofende, oprime e afasta os outros. 

Infelizmente o pastorado não é mais a nobre vocação de outrora. Quando um líder narcisista é atacado, sua reação é se colocar na defensiva e fazer o papel de vítima. Embora suas declarações de missão e de crenças teológicas sejam repletas de vocabulário de serviço, abnegação, justiça e cuidado, eles fingem ter empatia. 

O narcisista é movido por vergonha. Embora ele pareça charmoso e agradável por fora, ele protege seu verdadeiro eu de sentimentos de vergonha e evita que ele seja desmascarado. A vergonha diz respeito à desvinculação interior que surge da infância. 

O narcisismo em sua forma mais extrema pode se manifestar em violência, bullying, coerção e transgressão da lei. Tudo isso impelido por um gigantesco iceberg de vergonha. O fato de o narcisista ter uma história de feridas interiores, nunca, jamais, é desculpa para o abuso que ele comete. 

Há narcisistas que são viciados em trabalho. Estes alimentam-se de aplauso e afeto. Vivem em função de conquista e têm pavor de fracasso. Caso sintam-se ameaçados, pode ocorrer o efeito Jekyll e Hyde que transforma sua aparência agradável em fúria. 

Sua raiva é acompanhada de inveja reprimida por aqueles que tentam roubar deles atenção, poder ou admiração. Essas características e tendências não são compatíveis com um seguidor de Jesus.

Há outros líderes narcisistas apegados a regras. São atraídos para a igreja em razão de uma necessidade de ter limites definidos, regras morais e segurança. Ficam desconfiados em situações de imprevisibilidade ou espontaneidade. 

Este tipo de narcisista teme a rejeição, e por isso, procura controlar sua realidade a fim de evitar ser rejeitado. Tem um posicionamento duro com as pessoas e culpa outros por seus problemas. Geralmente produzem ansiedade nas pessoas ao seu redor. 

Eles costumam dividir as pessoas em amigas e inimigas e estão sempre alertas para ameaças a sua segurança. São guardiões de sistema e ideais. São reconhecidos por sua falta de alegria. A obsessão e fixação naquilo que podem controlar os cega para seus entes queridos. 

Para terminar, vemos em Filipenses 2:5-11 o retrato do verdadeiro evangelho pelo belo exemplo de Cristo, que mesmo sendo Deus, humilhou-se assumindo natureza humana. Veio como servo, importando-se em primeiro lugar não com seus próprios direitos, mas com o bem do próximo. 

Os cristãos devem ter a mente de Cristo. Eles devem pensar como ele pensou e andar como ele andou. O tema principal de Filipenses poder ser expresso neste verso: “por humildade, considerando cada um dos outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3). 

Filipenses é conhecida como a carta da alegria, mas é também uma carta sobre o serviço humilde em favor dos outros. Sem auto humilhação e serviço altruísta pelo próximo, a vida não tem alegria e contentamento.   

 

REFERENCIAL TEÓRICO 

DEGROAT, Chuck. Quando o narcisismo invade a igreja: cura para comunidades que sofreram abuso espiritual e emocional. São Paulo: Mundo Cristão, 2024.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

O grande fingidor (The Great Pretender)

Nos anos 50 o grupo The Platters lançou a música “The Great Pretender” (O grande fingidor). A letra fala de uma pessoa que finge estar indo bem. Ela vive alegre e rindo como um palhaço, mas tudo não passa de fingimento.

Muitas das vezes vivemos de aparência, rindo por fora, mas vivendo uma grande confusão por dentro. Honestidade e sinceridade são pré-requisitos para se viver em comunhão com Deus (Sl 15:1,2; 24:3-5). 

Não precisamos aprender a esconder ou fingir, pois isso acontece naturalmente (Gn 3:6-13). Houve um período na vida do rei Davi que ele rejeitou a lei de Deus. Ele abusou do próprio poder, agiu com cobiça e adultério (2Sm 11). 

Se Davi tivesse sido sincero acerca do seu erro ele podia ter poupado sua casa de tantas desgraças. Mas, ele preferiu esconder e negar sua transgressão. Ele mentiu para Urias, para os seus guerreiros, para o seu povo, para si mesmo e acima de tudo para Deus. 

No Salmo 32 Davi descobre a profunda alegria de usufruir da misericórdia e o perdão de Deus. Nos versos 3 e 4 ele relata que ficou bastante debilitado fisicamente, emocionalmente e espiritualmente. 

A recusa em ser sincero produz consequências dolorosas para nós. Davi estava convivendo com essa culpa por quase um ano. O verso 5 relata que ele reconheceu seu pecado, confessou e não mais ocultou. 

Como Deus reagiu quando Davi finalmente confessou seu pecado? Com misericórdia e perdão (Pv 28:13). Davi recebeu alívio vindo do céu. O peso do seu pecado foi retirado e levado para longe (expiação). 

Deus está disposto a cobrir (com o sangue de Cristo) todo pecado que estamos dispostos a descobrir diante dele. Nenhum pecado é tão grande que Deus não possa perdoar, e nenhum pecado é tão pequeno que você possa permitir mantê-lo escondido. 

 

REFERENCIAL TEÓRICO 

WOLGEMUTH; Nancy D. GRISSOM, Tim. Buscando a Deus: desfrute a alegria do avivamento pessoal. Shedd: São Paulo, 2020.

sábado, 14 de dezembro de 2024

A natureza do contentamento cristão vs. a trend: "como eu vou ser triste se..."

A busca por uma felicidade fundada nas circunstâncias da vida gera inquietação e descontentamento em nossa alma. A alegria citada por Paulo em Filipenses 4:10-13 refere-se a um estado de satisfação. Deus está no controle e não importa a situação.

O coração alegre é um coração contente, pois tem prazer na bondade providencial de Deus mesmo enfrentando um problema crônico de saúde, um emprego difícil ou relacionamentos conturbados no lar à medida que Deus lhe concede graça.

Paulo afirma duas vezes que “aprendeu” a estar contente (Fp 4:11-13). O contentamento não vem naturalmente. O mundo diz que para estar contente você precisa sair de uma situação ruim, mas a Bíblia diz que devemos encontrar contentamento até mesmo nas circunstâncias ruins.

O verdadeiro contentamento cristão requer que estejamos contente em qualquer situação (Fp 4:11). Seja em tempos de abundância e tranquilidade ou em tempos de necessidade. Podemos encontrar alegria quando estamos entristecidos, enriquecer a muitos quando estamos na pobreza, e possuir tudo mesmo não tendo nada (2Co 6:10).

Deus usa as aflições para nos santificar (Rm 5:3-5; Hb 12:4-12). Quando aceitamos todas as dificuldades crescemos em maturidade, santidade e contentamento. Estamos dispostos a suportar dificuldades que afetam nossa família, nosso trabalho ou nossos filhos?

O apóstolo Paulo sofria de “um espinho na carne” com o propósito de trazer glória a Deus na sua humilhação e para revelar o poder de Deus na sua fraqueza (2Co 12:7). Estamos dispostos a perseverar nas aflições?

Nós não dependemos de fatores externos para ter contentamento. A graça de Deus que opera em nosso coração nos dá tranquilidade interior apesar das circunstâncias exteriores.

 

REFERENCIAL TEÓRICO

BARCLEY, William B. O Segredo do Contentamento. São Paulo: NUTRA, 2014.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Como lidar com a culpa e a vergonha

O propósito da culpa é nos levar para aquele que nos oferece perdão. A boa culpa nos leva ao arrependimento e a alegria do evangelho. Porém, a culpa pode facilmente sair pela culatra e levar a pessoa a uma autocondenação feia.

Quando a culpa é distorcida, ela se torna em autocondenação, argumentando que nenhum perdão é possível. A culpa e a vergonha podem ter duas dimensões em um mesmo evento: “eu fiz algo errado (culpa), e as pessoas podem ver isso (vergonha)”.

O objetivo da culpa e a vergonha é de nos alertar para uma ruptura em nossos relacionamentos. Quando sentimos dor em parte do nosso corpo, a dor está falando que existe um problema que precisa de atenção.

Da mesma forma as emoções dolorosas são destinadas a promover cura e crescimento. A culpa comunica que falhamos em atingir o alvo em nossos objetivos relacionais (Mt 22:34-40). A culpa nos ajuda saber se estamos agindo contra Deus ou contra o próximo.

A vergonha se concentra mais em como os outros nos veem do que em como nós os vemos. A culpa e a vergonha podem se tornar motivos de isolamento em vez de reconciliação. Quando deixamos de lidar com a culpa passamos a escondê-la, o que dificulta a restauração dos relacionamentos.

O objetivo da culpa é nos motivar a nos reconciliarmos com Deus e com o próximo. Se você traiu seu cônjuge você deveria se sentir culpado por quebrar seu voto conjugal, e por ter machucado outras pessoas. Você falhou em amar a Deus e ao próximo.

Se você estiver tão cego pelo pecado você resistirá a culpa destinada a afastá-lo desse pecado, e quando for descoberto, você não reconhecerá seu erro, mas irá defendê-lo racionalizando e justificando o erro (Sl 36:2-4).

É mais fácil não enfrentar a culpa e a vergonha e tentar silenciar as boas intenções delas. Mas, a negação e o escapismo são o caminho da morte. Muitas vezes a culpa e a vergonha estão sob o disfarce da ira e da transferência de culpa (Gn 3:12).

Sempre que você se vir afastando dos outros e encobrindo o que está acontecendo dentro de você, vale a pena se perguntar se você fez algo de errado ou se teme que outros o vejam dessa maneira.

Também é preciso examinar as realidades objetivas e subjetivas da culpa: culpa verdadeira versus culpa falsa. Você pode ser culpado, mas não se sentir culpado. Por outro lado, você pode se sentir culpado, mas não ser verdadeiramente culpado.

Culpa verdadeira e falsa têm a mesma sensação, mas estão enraizadas em critérios diferentes. A falsa culpa acontece quando violamos uma lei que não é de Deus (normas culturais, valores/tradições de uma família/igreja etc.).

Por exemplo, uma criança cujos pais são divorciados pode ser se sentir culpada e responsável pela tristeza da mãe quando ela visita seu pai nos fins de semana. Esta é uma falsa culpa que a tormenta.

Há uma diferença entre vergonha e ser envergonhado. A vergonha é uma resposta apropriada às consequências do pecado, mas ser envergonhado é quando as pessoas pecam contra nós.

Muitas crianças que foram abusadas direcionam para si a ira porque aprendem que não é seguro criticar externamente o agressor na família produzindo um sentimento destrutivo de vergonha.

A culpa e a vergonha devem nos mover em direção a Deus e as pessoas. Por isso um diagnóstico útil é se perguntar: “isso está me movendo para longe de Deus e dos outros ou em direção a eles?”.

Procure alguém de confiança para conversar, Deus será fiel em trabalhar em nós, mesmo na dor de sermos mal compreendidos. Lembre-se, culpa e vergonha levam ao crescimento quando expostas à luz, mas tendem a apodrecer no escuro.

 

REFERENCIAL TEÓRICO

GROVES, J. Alasdair; WINSTON T. Smith. Organize suas emoções. São José dos Campos: Fiel, 2022.

O jovem rico

A conversa de Jesus com o jovem rico em Marcos 10:17-22, se dá num clima de admiração e respeito . Esse é o tipo de jovem que todo pastor g...