segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Otimistas vs pessimistas - e o orgulho

Os otimistas confiam na força do seu braço. Eles veem os projetos como desafios pessoais e por isso se esforçam bastante. Muitas vezes não estão conscientes de suas limitações e acabam se expondo ao esgotamento.

Dizem muito “sim” e pouco “não”. Costumam atropelar as pessoas no processo por estarem mais focados em cumprir seus objetivos do que manter bons relacionamentos. Em algum momento se frustrarão. 

Por outro lado, os pessimistas lidam com novas ideais com desânimo. Eles encaram os projetos com um peso insuportável. 

Eles possuem alguma consciência de suas limitações, o que é bom, porém, a ênfase em suas limitações pode se tornar exagerada a ponto de acreditarem que todo esforço é inútil. Seu lema pessoa é: “Isso não vai dar certo”. 

Embora possuam reações opostas, otimistas e pessimistas têm uma base comum. Ambos estão centrados em si mesmos: egoístas. 

O otimista é um ativista que realiza muitas coisas. Ele busca validação e segurança tentando firmar sua identidade em suas realizações, mas um dia a conta chega. Planos frustrados e um corpo quebrado pelo excesso de atividade. 

O pessimista é um procrastinador, foge das responsabilidades com o desejo de se preservar. Mas, chegará o dia que os projetos não concluídos o consumirão, junto com o sentimento de culpa e inutilidade. 

“Deus resiste aos soberbos, mas da graça aos humildes” (Tg 4:6). Nosso orgulho não produz somente esgotamento ou culpa, mas oposição a Deus, pois quando buscamos ocupar o centro do mundo e viver para nossa glória, estamos em oposição ao Senhor. 

 

REFERENCIAL TEÓRICO 

PORTO, Allen. Produtividade Redimida. São José dos Campos: Fiel, 2024.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Procrastinação

A procrastinação pode ser definida como a fuga ou o adiamento de tarefas que estão sob nossa responsabilidade, por meio de realização de outras atividades que especialmente envolvem uma dose de dopamina.

Em vez de gastar tempo e energia em algo difícil, queremos realizar atividades fáceis que tragam recompensa imediata. Abrimos o WhatsApp ou ficamos rolando a timeline em redes sociais. 

A estimulação mental por meio de redes sociais ou portais de notícias não traz descanso. E se não houve descanso, não houve uma recarga de ânimo e energia. O resultado é uma mistura de cansaço com ressaca moral. 

Existem três causas da procrastinação: preguiça, perfeccionismo e ira. Estas três causas além de nos desviar do foco, nos fazem fugir das responsabilidades e buscar pequenas distrações. 

A preguiça é a manifestação concreta do egoísmo. É a priorização do conforto pessoal imediato em detrimento do serviço. É a negação do chamado em nome da autopreservação. É a fuga das responsabilidades e a busca por facilidade. 

O perfeccionismo luta pelo controle total dos meios e resultados de sua ação. Ele busca um padrão de excelência no serviço. Mas, esse padrão é elevado a um nível impossível de ser atingido. 

Por tornar a tarefa pesada demais, o perfeccionista busca pequenas distrações que o protejam do peso insustentável das tarefas perfeitas. “Se você exigir perfeição ou nada, ficará com nada” (Francis Scheffer). Com o tempo ele mata a produtividade seguindo o caminho da procrastinação. 

Assim como o perfeccionista, o irado deseja ter o controle. Deseja ser o Criador, e não a criatura. A ira consome sua energia e o move para a procrastinação. A coisa deve ser do seu jeito, ou nada feito. Quando sua vontade não é feita, ele abandona suas responsabilidades por completo. 

O descanso nunca vem pela procrastinação, ao contrário, ao fugirmos das responsabilidades, ficamos com um acúmulo de tarefas atrasadas e um senso de culpa crescente. 

Pessoas indisciplinadas se entregam a prazeres imediatos e fáceis porque não desejam esperar. A nova geração deseja realização profissional imediata, porque não querem assumir responsabilidades sabendo que a gratificação pode vir após anos de semeadura. 

 

REFERENCIAL TEÓRICO 

PORTO, Allen. Produtividade Redimida. São José dos Campos: Fiel, 2024.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Workaholic: viciado em trabalho?

O ritmo da vida contemporânea privilegia a correria, e tem movido a maior parte da população ao estilo de vida workaholic, dominado pelo trabalho incessante. 

Pessoas viciadas em trabalho seguem um estilo de vida do coelho de Alice no País das Maravilhas: sempre correndo e sempre atrasado. 

Uma pessoa com uma identidade frágil tenta compensar essa fragilidade trabalhando muito. As obras servem de validação pessoal e fortalecimento da sua identidade. 

Aqueles que não estão seguros do amor de Deus e do seu valor em Cristo (Cl 3:12), se utilizam do trabalho como fonte de valor e significado. Seu valor e sua identidade dependem de sua produtividade e de sua performance. 

Aí está o problema, se o seu valor depender do seu trabalho, o que acontecerá quando ficar doente? Uma pessoa sem valor afundando em depressão. 

Os workaholics acreditam que o mundo depende deles. Seu coração luta para obter controle sobre situações e pessoas (orgulho). Aquele que acredita que o controle está em suas mãos morrerá esgotado e frustrado. 

O ritmo da graça é diferente. Deus nos ensina sobre tempo, ritmo e rotina saudáveis. Se você pensa que descansar é para os fracos, então você precisa parar para ouvir o que Deus fala sobre o descanso. 

A realidade estruturada por Deus desde a criação do mundo em Gênesis 1 e 2 envolve ciclos de trabalho e descanso. Você precisa aprender a descansar para aprender a produzir. 

Precisa reconhecer suas limitações e crescer em humildade. Humildade para entender que Deus continua sua obra mesmo quando você descansa, pois descansar é uma responsabilidade. 

Aliás, um dos pilares da produtividade é a energia, e quando falamos de energia, destacam-se três aspectos fundamentais: alimentação, sono e atividade física. Um sono prejudicado afeta a capacidade de recuperar as energias e reorganizar a mente. 

Certa vez, David Murray, autor do livro “Reset”, perguntou para um psicólogo cristão como ele tratava as pessoas com depressão e ansiedade, ele respondeu: “Eu lhes dou três pílulas: bons exercícios, bom sono e boa dieta”. 

O mundo seguirá sem os nossos "esforços maravilhosos". Quando não descansamos ficamos orgulhosos, irados e ansiosos. Será inútil levantar cedo, dormir tarde e trabalhar demais, pois o Senhor concede casa, segurança e alimento para aqueles a quem ele ama enquanto descansam (Sl 127:1-2). 

Lembre-se, nossa correria é resultado de orgulho, identidade frágil e buca por controle. Reconheça suas limitações. Quando somos jovens aguentamos facilmente um ritmo intenso de vida, mas a idade chega e o tempo cobra seu preço. 

 

REFERENCIAL TEÓRICO 

PORTO, Allen. Produtividade Redimida. São José dos Campos: Fiel, 2024. 

MURRAY, David P. Reset: Vivendo no ritmo da graça em uma cultura estressada. São José dos Campos: Fiel, 2018.

Otimistas vs pessimistas - e o orgulho

Os otimistas confiam na força do seu braço. Eles veem os projetos como desafios pessoais e por isso se esforçam bastante. Muitas vezes não e...