Em
1980 a equipe olímpica de hóquei dos Estados Unidos ficou conhecida como “o
milagre no gelo” ao vencer a seleção soviética que acumulava uma
invencibilidade de 12 anos sem perder uma partida oficial em jogos olímpicos.
A equipe olímpica dos EUA era amadora, composta principalmente por universitários. O treinador Herb Brooks foi encarregado de reunir e treinar o grupo de amadores. Ele precisaria alinhar a equipe para que o sonho do ouro se tornasse realidade.
Era uma tarefa difícil. Os rapazes vinham de diferentes origens, faculdades e partes do país. Eles tinham suas próprias abordagens e estilos de jogos. Cada jogador se identificava com seu antigo time, não com a equipe olímpica.
O filme Miracle conta essa história. Em uma cena o treinador aparece perguntando aos jogadores durante os treinos: “Para quem você joga?”. Todos respondiam com o nome de sua equipe universitária.
Depois de uma partida medíocre em um jogo amistoso, o treinador decidiu era que hora de exigir alinhamento. Ele colocou os jogadores para patinar durante horas depois de uma partida exaustiva, foi então que um dos jogadores gritou: “Eu jogo pelos Estados Unidos da América”. Com essa declaração, o treinador dispensou os jogadores.
Esse foi o ponto de virada. O grupo de indivíduos se tornou um só. Eles não se viam mais jogando por escolas diferentes, mas sim pelo seu país. Cada jogador passou a fazer parte de um todo maior.
Infelizmente muitas igrejas também estão sofrendo com o problema da falta de unidade. É preciso de um milagre da unidade. Muitas pessoas vêm de diferentes partes do país com suas próprias abordagens e estilos de trabalhos e continuam se identificando mais com suas antigas igrejas e tradições e cada vez menos com o todo maior.
Jesus orou para que seus seguidores fossem tão unidos quanto ele e o Pai (Jo 17:21-23). O apóstolo Paulo desafiou a igreja ter “o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só mente” (Fl 2:2, ver 1Co 1:10).
A unidade é poderosa. O treinador Herb Brooks selecionou cuidadosamente os jogadores para formar a equipe. Ele procurou aqueles que estivessem mais comprometidos com o nome da nação do que com o nome nas costas. Depois que ele escolheu sua equipe, muitos criticaram insistindo que ele havia deixado de fora os melhores jogadores.
Sua resposta, conforme retratada no filme, foi uma frase clássica. Ele disse: “Não estou procurando os melhores jogadores. Estou procurando os jogadores certos”. Os jogadores certos são vitais (Quem sabe essa frase não chega aos ouvidos do treinador da seleção brasileira hein!).
O mesmo se aplica a liderança da igreja. Sem líderes adequados, a igreja nunca estará alinhada. Se a liderança não estiver alinhada, as pessoas irão se dispersar e a igreja não desfrutará da unidade.
Às vezes, os melhores jogadores não são os mais adequados. Houve uma igreja que buscou os melhores funcionários possíveis. O objetivo era forma uma equipe de excelência supondo que isso causaria o maior impacto possível na igreja. Embora essa suposição fosse sensata, ela era falha.
Essa igreja tinha uma equipe cheia de pessoas talentosas, mas cada uma corria para uma direção diferente. Parecia ser bom, mas contratar os melhores não trouxe unidade a equipe. Teologicamente a equipe estava alinhada, mas sua forma de trabalhar estava dividida.
Nas igrejas, as diferenças que levam à divisão mais frequentes não são teológicas ou bíblicas. As diferenças que prejudicam a maioria das igrejas estão relacionadas à abordagem e à filosofia do ministério. Você já ouviu: “Por que estamos fazendo assim?” ou “Por que não estamos mais fazendo isso?”.
Para conquistar a medalha de ouro, a unidade era algo essencial, o alinhamento não era uma opção para a equipe de hóquei. O alinhamento também é essencial para a igreja. E aqui há mais em jogo do que uma medalha de ouro. Estamos falando de redenção, transformação de vidas, eternidade.
A unidade é essencial. O povo de Israel enfrentou um adversário mais forte e maior que a equipe russa de hóquei, e a terra de Canaã estava em jogo. O plano de Deus era levar seu povo para lá.
Era de se esperar que as pessoas se alinhassem ao plano de Deus, em vez disso reclamaram. Em Números 13, eles estão próximos da terra. É como a noite antes do grande jogo. Seu líder Moisés escolhe doze pessoas para espionar a terra.
Os espias se assustam com o outro “time”, eles viram um adversário tão grande que se sentiram como gafanhotos aos olhos deles. Mas dois deles, Josué e Calebe, insistiram que a terra poderia ser conquistada, que “o jogo poderia ser ganho”.
Infelizmente a maioria se uniu em torno de críticas a ponto de querer apedrejar seus líderes Moisés e Arão. Aquela geração que desprezou a promessa de Deus não entrou na terra, com exceção de Josué e Calebe que estavam dispostos a unir em torno do plano de Deus. A unidade é essencial, e Deus leva isso muito a sério.
É preciso de um milagre da unidade em nossas igrejas.
REFERENCIAL TEÓRICO
RAINER,
Thom S; GEIGER, Eric. Igreja simples: retornando ao processo de Deus
para fazer discípulos. Indaiatuba: Envisionar, 2026.

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