sábado, 14 de janeiro de 2023

Consciência Escrupulosa: Lidando biblicamente com as dúvidas e preocupações obsessivas

Ter escrúpulos é bom. Isso significa que você tem uma consciência em bom funcionamento quando você enfrenta um dilema moral ou ético, pois ele orienta você a fazer o que é certo. Porém, se você luta com escrúpulos, isso não é bom. A palavra “escrúpulo” é derivada do latim scrupulum, uma pedra afiada, implicando uma punhalada dor na consciência. A pessoa com uma consciência escrupulosa é sobrecarregada por tais picadas ou “punhaladas” em sua mente. Ela experimenta uma preocupação contínua e intensa por sua própria pureza moral, tanto em pensamento quanto em ação.

Muitos cristãos estão paralisados por dúvidas e preocupações obsessivas sobre suas vidas espirituais e morais. Essas dúvidas e preocupações roubam-lhes paz, propósito e alegria. Eles se sentem isolados e sozinhos, descobrindo que muitas pessoas, até mesmo irmãos e irmãs em Cristo, não entendem sua luta. Isso reforça ainda mais seu senso de separação de Deus. Historicamente, esse problema é conhecido pelo nome de escrupulosidade, porém, mais recentemente, na literatura psicológica, é rotulado como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) religioso.

 

1. O QUE É CONSCIÊNCIA ESCRUPULOSA

São “pensamentos intrusivos (espontâneos, inconvenientes, indesejados) e obsessivos (persistentes, recorrentes) e dúvidas sobre questões morais e espirituais, que produzem níveis angustiantes de ansiedade e a busca de se livrar dessa ansiedade, geralmente por um ou mais dos seguintes atos: realização de comportamentos compulsivos, envolvendo-se em rituais mentais ou evitando situações desencadeantes” (Mike Emlet).

Alguns a chamam de “a doença da dúvida”. Outros têm visto a escrupulosidade como “temer o pecado onde não há nenhum”. Frequentemente, você vê preocupações e medos excessivos em cometer um pecado, distinguir o certo do errado, como tomar decisões e ter certeza da salvação. A ansiedade que resulta dessas preocupações pode levar a confissão excessiva de pecados e/ou desculpas, busca repetida de segurança de entes queridos, ruminação prolongada e excessiva, oração ritualística ou evitação de certas situações que podem provocar pensamentos intrusivos (incluindo ler as Escrituras ou frequentar a igreja).

Aqueles que têm uma consciência mais escrupulosa estão sempre pensando em questões eternas e no juízo final (Ed Welch). Eles se sentem condenados devido a sua visão distorcida de Deus e do seu tribunal. A condenação e o medo do juízo assombram a mente dessas pessoas, pois não conseguem discernir a diferença entre a condenação do Diabo e a convicção do Espírito.

O povo de Deus lutou, às vezes severamente, com questões de consciência, dúvida e segurança. John Bunyan (1628-1688), o autor de O Peregrino, foi alguém que lutou com a consciência escrupulosa quando esteve preso. Ele começou a ter dúvidas quanto a salvação de Deus,  junto com Alphonsus Liguori (1696-1787), um bispo católico, e Inácio de Loyola (1491-1556), um padre católico que fundou a ordem jesuíta. Os puritanos também lidaram extensivamente com estas questões de segurança. Eles gostavam que os assuntos fossem bem definidos, mas, essas virtudes quando levadas ao extremo, produzem um estilo de vida legalista e sufocante com tantas regras. Por exemplo, um jovem puritano de dezesseis anos chegou a escrever em seu diário que havia se afastado de Deus por ter entalhado madeira no Dia do Senhor[1], ou seja, o legalismo havia causado uma falsa culpa em sua mente por causa de sua visão distorcida das Escrituras.

Seja chamado de escrupulosidade, doença da dúvida, grave falta de segurança ou TOC religioso, o problema é real e pode ser debilitante. Em casos graves, a ansiedade é tanta que a pessoa pode se afastar de grande parte da vida diária.

Vejamos abaixo alguns exemplos de pessoas que lutaram com a consciência escrupulosa:

Brandon desistiu de tocar piano porque, quando toca bem, fica dominado pelo medo de estar despertando orgulho ímpio. Alicia, que cresceu em um forte lar cristão e professou a fé desde jovem, é atormentada diariamente pelo pensamento persistente de que talvez ela não seja salva, afinal. Ela parece imune ao encorajamento de familiares e amigos que apontam o fruto do Espírito em sua vida. “Sim, mas você não pode conhecer meu coração”, ela insiste. Serena rumina por horas sobre as respostas que deu às perguntas dos outros ao longo do dia. Ela se pergunta: “Fui sincera? Eu estava completamente correta?” Karl resiste a segurar sua filha no colo ou abraçá-la porque isso desencadeia o pensamento: “E se eu for um pedófilo e estiver sendo sexualmente gratificado por isso?” Ele fica horrorizado com o pensamento. Apesar de não ter nenhuma evidência física objetiva de excitação, sua ansiedade sobre isso aumentou, a ponto de agora ele evitar contato físico próximo com sua filha. Graham tornou-se praticamente um recluso porque, toda vez que sai de casa, sente-se compelido a compartilhar o evangelho com todas as pessoas que encontra — caixas de banco, atendentes de restaurantes, caixas de supermercados — qualquer pessoa. O pensamento persistente: “Compartilhe as boas novas!”, está arruinando sua vida e seu casamento. Ele se sente obrigado por passagens como Romanos 10:14 e Mateus 28:19. [2] Ele pergunta: “Como posso ter certeza de que não sou aquele que Deus quer trazer as boas novas a essa pessoa?”.

 

2. O PADRÃO DE ESCRUPULOSIDADE

Para fornecer ajuda centrada no evangelho para essas pessoas, é importante entendê-lo de um ponto de vista bíblico-teológico. Para definir o cenário para isso, vamos olhar para um diagrama que descreve o padrão de escrupulosidade.

 


Este ciclo começa muitas vezes, mas nem sempre, começa com o gatilho situacional. Por exemplo, ouvir um sermão, ler uma passagem da Bíblia ou abraçar sua filha pode ser o seu gatilho situacional, e ele está associado a um pensamento intrusivo (por exemplo, “Eu odeio Deus” ou “Jesus era apenas um homem” ou “Eu quero tocar minha filha de maneira pecaminosa”). Logo em seguida a pessoa avalia qual o significado do seu pensamento (“Isto é algo que devo prestar atenção agora? O que devo fazer com este pensamento?”).

Para a pessoa excessivamente escrupulosa, essa avaliação é influenciada por visões distorcidas de Deus, do eu e da vida cristã que sensibilizam demais a consciência e aumentam a importância do pensamento. A pessoa que luta avalia o pensamento como importante ou perigoso (“Como pude ter tal pensamento?! Que tipo de pessoa devo ser para pensar isso? Talvez eu não seja cristão. E se eu for um pedófilo?”). Não é de surpreender que isso resulte na ansiedade da pessoa com a consciência pesada. Tentar suprimir o pensamento tentando ignorá-lo apenas torna o pensamento mais insistente e a ansiedade mais proeminente.

Para obter alívio, a pessoa escrupulosa se envolve em certos comportamentos (muitas vezes repetitivos) para neutralizar a ansiedade (por exemplo, confessar o pensamento como pecado, buscar a segurança de outras pessoas ou evitar a situação desencadeadora). Isso reduz temporariamente a ansiedade e dá as pessoas uma sensação de controle sobre seus pensamentos. Mas essa estratégia sai pela culatra. Quanto mais uma pessoa tenta acalmar os pensamentos com comportamentos compulsivos, mais difícil é resistir a fazê-lo na próxima vez. Isso resulta em pensamentos intrusivos ainda mais insistentes e persistentes e na necessidade sentida de responder com comportamentos mais compulsivos (novamente fortalecendo o ciclo).

Uma experiência comum ilustrará este ciclo. Quando você recebe uma picada de mosquito, ele coça. Se você coçar, consegue algum alívio, mas logo em seguida a coceira volta, geralmente com mais intensidade. Então, você coça de novo, desta vez com mais força - aah, alívio! Mas a coceira volta mais uma vez com força e você coça novamente. E assim, o ciclo de coceira e coceira é fortalecido. A única maneira de sair do ciclo é tolerar a coceira por um período de tempo sem coçar. E isso é desconfortável. Da mesma forma, a única saída do ciclo de escrúpulos é tolerar a ansiedade sem recorrer a comportamentos compulsivos.

 

3. TRATANDO BIBLICAMENTE AS CAUSAS DA ESCRUPULOSIDADE

Existem pelo menos quatro[3] respostas sobre o que causa o TOC: 1) circunstâncias do passado, 2) pressão no presente, determinantes genéticos e físicos, ou 4) questões espirituais do coração. Mas para este estudo, ficaremos com a abordagem (antropologia bíblica) de Mike Emlet. Segundo ele, o ciclo de escrupulosidade é poderoso e é alimentado por quarto distorções teológicas: 1) Visões distorcidas de Deus; 2) Visões distorcidas de si mesmo; 3) Visões distorcidas das Escrituras; e 4) Visões distorcidas da vida cristã.

As Escrituras ensinam que somos adoradores da imagem do Deus vivo, criados para servi-lo e administrar nossas vidas para sua glória (Gn 1:26-28). Nada é mais importante do que a direção dos desejos, crenças e amores do nosso coração (Pv 4:23; Miquéias 6:8; Mt 22:34-40). Nossos pensamentos, emoções e ações encontram nele seu ponto de referência final. Deus também nos criou como seres fisicamente incorporados (Gn 2:7). Nós o adoramos usando nossos corpos (Rm 12:1), corpos que podem ser fortes ou fracos. Também estamos inseridos relacionalmente e situacionalmente, o que significa que as pessoas ao nosso redor e as circunstâncias da vida nos impactam para o bem ou para o mal (Pv 15:1). A queda trouxe ruptura em todos os níveis de nossa personalidade — coração, corpo, relacionamentos interpessoais e situações da vida. Por isso, queremos estar sempre atentos às contribuições potenciais em cada um desses níveis, ao avaliarmos a natureza e as razões por trás da luta de uma pessoa com o escrúpulo. Vamos explorar cada nível, começando com o coração.

Visões distorcidas de Deus. Pessoas excessivamente escrupulosas tendem a enfatizar certos aspectos do caráter de Deus. Por exemplo, eles acentuam sua justiça e santidade, mas não sua misericórdia e graciosidade. Sua visão funcional de Deus é que ele é distante, severo, punitivo, impiedoso e impaciente. (Quem não viveria com medo de um Deus assim?) Sua visão de Deus é equivalente a um pai terreno que é duro e crítico, constantemente mostrando seu descontentamento, mas não o renega nem o expulsa da família. Isso leva a uma mentalidade de apaziguamento. O que posso fazer para minimizar a ira de Deus? Fundamentalmente – e não posso enfatizar isso o suficiente – a pessoa escrupulosa desconfia da bondade e da misericórdia de Deus. A escrupulosidade, como outras formas de pensamento obsessivo e comportamento compulsivo, é, em última análise, uma questão de confiança e entrega a Deus, final e total responsabilidade pela minha vida e pela vida dos outros.

Visões distorcidas de si mesmo. Esse tipo de distorção se manifesta de pelo menos quatro maneiras. Primeiro, a pessoa geralmente manifesta uma necessidade de certeza absoluta. “Devo saber se o que acabei de fazer (ou pensar) é um pecado.” Eis o dilema: para resolver verdadeiramente suas dúvidas, eles devem ter um conhecimento exaustivo, o que é impossível para criaturas finitas. Mas para pessoas excessivamente escrupulosas, a dúvida é semelhante à morte. Viver com incerteza parece impossível. Eles querem respostas firmes e concretas, sem ambiguidades. Isso leva à pesquisa compulsiva para obter maior conhecimento e à busca compulsiva de garantias de outras pessoas. Mas raramente é o suficiente – sempre há outra “brecha” ética a ser descoberta.

Uma segunda maneira pela qual a visão distorcida de uma pessoa sobre si mesma pode ser problemática é o perfeccionismo e o excesso de responsabilidade. Muitos pesquisadores acreditam que um senso de responsabilidade exagerado é fundamental para o desenvolvimento de obsessões e compulsões. Estas pessoas querem identificar qualquer pecado em potencial que possa ameaçar sua segurança, o problema é que querem fazer isso carregando todo o peso, independentes de seu Criador.

Terceiro, indivíduos altamente escrupulosos supervalorizam seus pensamentos. Quase todas as pessoas têm pensamentos intrusivos bizarros. É o que fazemos com eles que conta. Aqueles que não lutam contra o TOC ou escrúpulos podem ter um pensamento aleatório durante um culto de domingo: “O evangelho é um conto de fadas”, ou “Faça sexo com o líder de louvor”. A grande maioria de nós pensará: “Isso foi bizarro” e continuará a adorar. Mas a pessoa escrupulosa pensa: “O fato de eu ter esse pensamento significa algo crítico. Deve significar que sou o tipo de pessoa que poderia acreditar ou fazer tal coisa. E se eu fizesse essa coisa horrível agora? Oh não, talvez eu não seja realmente um cristão.” E a ansiedade aumenta. O problema é que nossos pensamentos nem sempre indicam de forma confiável o que realmente acreditamos e como queremos viver - ainda mais para uma pessoa excessivamente escrupulosa.

Quarto, a visão final distorcida do eu envolve a intolerância à ansiedade. A pessoa escrupulosa diz: “Preciso me livrar dessa ansiedade a todo custo”. A ansiedade é vivenciada como um marcador de perigo e quem quer permanecer em situação de perigo? Isso alimenta a busca por segurança ou evita situações desencadeadoras.

Visões distorcidas das Escrituras. Isso tem vários aspectos. Lutadores escrupulosos muitas vezes querem que a Bíblia diga mais do que diz. Eles querem que ela prescreva, em detalhes, cada jota e til de comportamento para cada situação. Porque? Não tanto para saber servir a Deus por amor e gratidão, mas por medo servil. Então, se eu sei exatamente quanto devo devolver a Deus para ser fiel em termos de minhas finanças, isso minimiza o risco (e a ansiedade) de estar errado. O problema é que essa visão das Escrituras torna a Bíblia um algoritmo moral impessoal, em vez de uma história de redenção.

Por outro lado, aqueles com escrúpulos muitas vezes agem como se a Bíblia dissesse menos do que diz. Há uma tendência de “atomizar” a Bíblia, de se concentrar em um determinado versículo ou ponto de doutrina. Ao invés de colocar uma questão dentro de todo o escopo do testemunho bíblico, eles ficam dentro de limites estreitos. Por exemplo, muitos pregadores pensam que o sermão eficiente é somente aquele que deixa a congregação se sentindo culpada, ou seja, eles não possuem uma mensagem bíblica equilibrada sobre culpa e pecado com a mensagem bíblica de perdão e renovação. Alguns enxergam a doutrina da “depravação total” em letras garrafais e a novidade de vida em Cristo com letras minúsculas. Doutrinas como justificação, adoção e perdão raramente são mencionadas, e quando são, o pregador escrupuloso as tratam como apenas um acréscimo às longas listas sobre o que está errado com as pessoas, a igreja e o mundo, pois não tem nenhum senso do amor de Deus ou de ser filho de Deus.

Semana passada aprendemos sobre tomar decisões sábias. Aprendemos sobre quatro caminhos para se tomar se fazer uma escolha, o quarto caminho é o “caminho da espera”, e citamos o versículo de Romanos 14:23: “Mas quem tem dúvidas está condenado ..., porque o comer não é pela fé. Pois tudo o que não procede da fé é pecado”. Para uma pessoa escrupulosa esse versículo pode levar à paralisia da decisão. Ela diz: “Se eu tomar a Ceia do Senhor, apesar de minhas dúvidas, serei condenada.” Este versículo deve ser entendido em seu contexto e no testemunho mais amplo das Escrituras.

Os problemas raramente são resolvidos por meio de um estudo bíblico intensivo sobre os tipos de perguntas que as pessoas costumam trazer à mesa, ou por meio de correção da teologia defeituosa. Embora os estudos bíblicos aprofundados sejam importantes, é necessário levar as pessoas a uma confiança crescente no caráter de Deus e na obra redentora como base para viver com sabedoria.

Visões distorcidas da vida cristã. Aqueles que lutam com escrúpulos tendem a colocar a lei acima da graça. Eles estão acertando as exigências da lei. Suas antenas estão prontas para as exigências do discipulado, mas lutam para experimentar a graça e a misericórdia de Deus, que é um fundamento inabalável para viver a vida cristã. A lei se torna mais importante do que receber — e dar — amor. Estas pessoas querem encontrar as respostas para poder seguir a regra.  Em última análise, isso as levará à justiça pelas obras: ganho o favor de Deus pelo que faço. Essa é a minha segurança máxima.

Os fariseus é que procuravam manter a lei nos mínimos detalhes e acabaram perdendo “assuntos mais importantes” ao se concentrarem em aplicações minuciosas da lei (Mt 23:23–24). pessoas excessivamente escrupulosas não toleram a incerteza das áreas cinzentas. Eles pegam uma coisa pequena e fazem tudo.

Essas visões imprecisas de Deus, do eu, das Escrituras e da vida cristã levam a uma vida baseada no medo e orientada para o dever, em vez da vida baseada na graça para a qual somos chamados como filhos de Deus (Gl 4:4–7). Aqui, o arrependimento é menos sobre Deus (uma verdadeira tristeza pelo pecado), mas sobre buscar alívio da ansiedade e cumprir um dever para se sentir melhor. O caminho para fora da escrupulosidade deve envolver uma crescente confiança em Deus que se opõe a essas crenças e padrões de pensamento distorcidos.

 

4. COMO AJUDAR UMA PESSOA ESCRUPULOSA?

Há esperança de mudança, mas ela não é tão simples quanto dizer a alguém: “Não pense assim”. O padrão de escrupulosidade (coceira) descrito anteriormente, na verdade, se manifesta no cérebro humano. Os circuitos neurais são aprimorados ao realizar comportamentos compulsivos e reduzidos ao abster-se de realizá-los.

Os relacionamentos de uma pessoa também podem desempenhar um papel importante no que diz respeito à escrupulosidade. Às vezes, você encontrará uma igreja legalista ou uma família de origem onde o desempenho e o perfeccionismo são altamente valorizados.

É importante lembrar que a Bíblia pode ser uma ajuda e um obstáculo para a pessoa escrupulosa. O remédio pode se tornar o inimigo. A Escritura pode desencadear o medo, ou pode domar o medo. O deleite pode rapidamente se transformar em perigo. Para a pessoa excessivamente escrupulosa as Escrituras podem aliviar os medos como provocar medos.

Conheça o Deus que se deleita no seu povo – Sf 3:14-17. Deus não é um predador celestial, pronto para explorar nossas fraquezas e pecados, ao contrário, na realidade, ele é rápido para ser misericordioso e demorado para irar-se (Na 1:3; Jl 2:13; Jn 4:2; Ne 9:17; Sl 103:8-10). Confesse seu pecado secreto ao Senhor, pergunte a si mesmo: “Há alguma razão pela qual eu me sinta tão condenado? O que eu fiz que merece juízo? O que eu estou tentando esconder? Não tenha medo de ir até o trono da graça confessar seu pecado a Deus (Hb 4:16), tenha fé, pois ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados (1Jo 1:9), mesmo que sejam horríveis. Você tem dificuldade em crer em palavras boas demais para ser verdade? Então escute: “Todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados” (At 10:30). “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro” (Is 43:25). Nossa confissão é um deleite para Deus, e no seu tribunal temos um justo Juiz que canta, pois é ele quem nos dá um coração novo, e nos livra da condenação eterna (Rm 8:1).

Quando Satanás vier acusar sua mente com o medo da condenação, dizendo que você merece juízo e morte, você responderá que sim, você merecia a condenação, mas você morreu e ressuscitou com Cristo, a lei só pode condenar alguém enquanto ele vive (Rm 7:1-2), mas o julgamento é descartado quando o acusado morre. Nós morremos juntamente com Cristo e ressuscitamos com ele mediante a fé (Cl 2:12; 3:3). Aprenda a discernir entre a condenação do Diabo e a convicção do Espírito observando a figura 2.

Tribunal Verdadeiro

Tribunal Falso

Você sabe que suas boas ações não são suficientes

A atenção está toda nos seus pecados

Sua esperança de libertação está somente em Cristo

Você se apoia e cai em seu próprio comportamento

Quando convicto dos pecados, você os abandona e olha para Cristo

Você está sozinho, sem um advogado

A última palavra é sempre esperança

A extensão do perdão de Deus é questionada

 

Conheça a beleza da liberdade e da nova vida em Cristo. Evite regras demais, pois quando as regras são vividas em extremo (perfeccionismo), produzem um estilo de vida legalista e sufocante. O legalismo produz uma falsa culpa e uma perda da noção sobre o que realmente é um pecado sério. E o pior, não tem poder para vencer o pecado (Cl 2:20-23). Jesus “aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hb 10:14). Isso coloca o peso de nossas vidas, agora e por toda a eternidade, na confiabilidade de Deus.

Pais legalistas e moralistas criam uma falsa culpa no coração de seus filhos ao elevarem regras feitas pelos homens (proibição de tatuagem, corte de cabelo, brinco, música, bebidas e comidas) ao mesmo nível dos mandamentos de Deus. Esse tradicionalismo morto não tem cura, por isso muitas famílias e igrejas conservadoras são compostas por pessoas amarguradas e tristes por carregarem um peso de uma falsa culpa suscitada por um moralismo e legalismo que não há cura prescrita na Bíblia. A verdadeira culpa só pode ser removida através da confissão e arrependimento do verdadeiro pecado que está prescrito na Bíblia. Os pais devem apresentar de forma clara o que é Lei de Deus e o que é Lei da Casa para seus filhos. Quando estas regras não ficam claras, os filhos podem rejeitar o verdadeiro cristianismo

 

CONCLUSÃO

Quando os medos, as preocupações e as dúvidas surgirem, volte-se para Cristo, ao invés de criar seus próprios meios de redenção por meio dos pensamentos obsessivos e comportamento compulsivos.

Aprenda a tolerar a ansiedade (“coceira”/desconforto) enquanto busca ajuda de Deus, pois fazendo isso, você quebrará o ciclo obsessivo-compulsivo (padrão de escrupulosidade). Isso não é o mesmo que ser tolerante com o pecado, mas é saber confiar na ajuda de Deus em meio as ambiguidades, incertezas e desconfortos da vida. Medite no retrato bíblico do amor e da misericórdia de Deus, pois fazendo isso, você descobrirá cada vez mais que o amor perfeito de Deus realmente lança fora seu medo (1João 4:18).

 

APLICAÇÕES

Há alguma razão pela qual você se sinta tão condenado? O que você fez que merece juízo? O que você está tentando esconder? Não tenha medo de ir até o trono da graça confessar seu pecado a Deus (Hb 4:16), tenha fé, pois Deus é fiel e justo para perdoar nossos pecados (1Jo 1:9), mesmo que sejam horríveis.

Você tem dificuldade em crer em palavras boas demais para ser verdade? Então escute: “Todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados” (At 10:30). “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro” (Is 43:25). Nossa confissão é um deleite para Deus, e no seu tribunal temos um justo Juiz que canta (Sf 3:14-17), pois é ele quem nos dá um coração novo, e nos livra da condenação eterna (Rm 8:1).

Quando estiver lutando com pensamentos intrusivos e obsessivos pare para meditar no amor de Jesus (Fp 4:5), pois fazendo isso seu nível de ansiedade irá diminuir. Grande parte da batalha de escrúpulos ocorre no nível da mente, por isso é importante tirá-los dos limites cognitivos da luta contemplando a beleza tangível do mundo criado por Deus. Aprenda a louvar ao bom Deus que criou e sustenta seu mundo (Sl 148). Literalmente “pare para cheirar as rosas”, pois isso interrompe o ciclo escrupuloso. Agarrar uma pedra lisa irá lembrá-lo de que Deus é sua rocha e refúgio (Sl 18:2). Lembretes multissensoriais do cuidado de Deus por sua criação constroem um vocabulário para graça e vida em vez de pecado e morte. Eles ajudam pessoas escrupulosas a “provar e ver” que Deus é realmente bom (Sl 34:8). Deus fala por meio da natureza e de sua Palavra (Sl 19).

 

 

REFERENCIAL TEÓRICO

EMLET, Michael R. Scrupulosity: When Doubts Devour. The Journal of Biblical Counseling. v. 33, n.3, p.11–40, 2019.

LAMBERT, Health; SCOTT, Stuart. Aconselhando os casos difíceis. Eusébio: Peregrino, 2017.

RYKEN, Leland. Santos no mundo: Os puritanos como realmente eram. 2. ed. São José dos Campos: Fiel, 2013.

WELCH, Edward T. Medo e Fuga: Temor, preocupação e o Deus do descanso. São Paulo: Cultura Cristã, 2022.



[1] RYKEN, 2013, p. 311-334. Eram tão rígidos quanto a lei de Moisés havia sido com relação a guarda do sábado. Sempre apreciei e elogiei a ética puritana com relação a educação de filhos, aconselhamento, trabalho, família e assistência social. Porém, há exemplos que não precisam ser seguidos como: alguns puritanos eram contrário a celebração do Natal. Tinham uma visão inadequada da recreação principalmente no dia do Senhor; elaboravam regras demais chegando ao legalismo por sua obsessão por coisas bem definidas; suas declarações eram cansativas por causa de sua prolixidade ao invés de serem mais breves em suas palavras; não respeitavam pensamentos teológicos contrário aos seus, pois eram insensíveis; tinham pensamentos de superioridade masculina etc.

[2] Romanos 10:14: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como eles devem acreditar naquele de quem nunca ouviram falar? E como eles vão ouvir sem alguém pregando?” Mateus 28:19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

[3] LAMBERT; SCOTT, 2017, p.69-72.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

O que o Natal representa para nós - Lucas 2


O Natal é uma data muito importante para os cristãos. Existem, porém, muitos cristãos que são indiferentes com esta data, pois acham bobagem comemorar o Natal por vários motivos. Mas, o que o Natal representa para nós?

A primeira proclamação do nascimento de Jesus foi feita a um grupo de pastores. Naquela época os pastores eram tidos como uma classe desprezível. Eles não tinham permissão de testemunhar em tribunais, mas foi aos pastores humildes que Deus concedeu o privilégio de serem as primeiras testemunhas para anunciar o nascimento de Jesus. Ao receberem as “boas-novas” do nascimento de Cristo dada pelos Anjos, estes pastores seguiram viagem para Belém. Este episódio foi a “primeira correria de Natal”. Muito diferente da nossa correria atual.

Apesar de ter vindo para livrar o mundo do jugo da Lei, Jesus nasceu sob a lei e obedeceu a seus preceitos. O nascimento de Jesus tem a ver com o nosso pecado. Seu nascimento trouxe de volta a esperança da comunhão perdida com um Deus Santo. Quando ele foi circuncidado ao oitavo dia, seguindo as exigências da lei, ele já estava sofrendo por causa dos nossos pecados. 

Depois de completados os oito dias de seu nascimento, Jesus é levado ao templo. Lá a criança encontrou-se com Simeão (Lc 2:25-35) e com Ana (2:36-38).

Ana era uma mulher idosa, viúva, de oitenta e quatro anos, e Simeão tinha aproximadamente 113 anos. Simeão e Ana representam o remanescente fiel, aqueles cristãos verdadeiros, cheios do Espírito, salvos pela fé e não por obras da lei. Pela fé eles creram naquele que viria para salvá-los e por isso louvaram ao Senhor pelo nascimento do seu Salvador. 

Mesmo com a idade avançada, Simeão e Ana não desistiram de esperar, de orar, de jejuar e de louvar a Deus. Ambos tiveram o mesmo privilégio de ver a salvação de Deus e de anunciar a sua salvação!

Da mesma forma, nós cremos naquele que nasceu, sofreu e morreu por nós, e devemos louvar ao nosso Senhor por ter enviado seu Filho ao mundo e por termos o privilégio de anunciar a todos sobre o nascimento de Jesus e sua morte e ressurreição.

“O começo da história é maravilhoso e grande. Mas, é o fim que pode salvar você, e, é por isso que comemoramos”.

sábado, 10 de dezembro de 2022

Cosmovisão e Política: Analisando a Cosmovisão Marxista em contrabalança com o cristianismo e a liberdade de expressão



Toda cosmovisão ou ideologia tem de responder ao menos três perguntas:

CRIAÇÃO: Cada cosmovisão ou filosofia tem que começar com uma teoria de origem. De onde tudo veio? Quem somos nós e como chegamos aqui?

QUEDA: Cada cosmovisão também tem de oferecer uma explicação da fonte do mal e do sofrimento. O que deu errado com o mundo? Por que há guerras e conflitos?

REDENÇÃO: Toda cosmovisão tem que oferecer esperança, um programa de trabalho que tente inverter a “queda” e oferecer soluções para pôr o mundo em ordem outra vez.

CRIAÇÃO: Karl Marx fez da matéria Deus, ou seja, segundo seu discípulo Vladmir Ilyich Lênin, ele considerou o mundo material supremo, como sendo o criador do céu e da terra. Para o marxismo o jardim do Édem seria o comunismo primitivo. QUEDA: a humanidade caiu do seu estado de inocência para a escravidão e tirania através do surgimento da propriedade privada. A REDENÇÃO ocorre através de uma revolução (mudança de das estruturas sociais externas) que é destruir a propriedade privada (uma sociedade sem classes), derrubando reis, tiranos através do proletariado e dos trabalhadores de fábricas urbanos em revolta contra seus opressores capitalistas, para assim voltar ao comunismo primitivo (onde tudo pertence a todos, em uma sociedade que não deveria se preocupar em acumular bens).

Vemos na história que a extrema esquerda pode ser associada ao comunismo, socialismo e o nazismo. A esquerda pode ser definida como aquele modelo do espectro político em que há pouca ou nenhuma liberdade pessoal e econômica em que o partido age para estender seu domínio sobre todas as esferas da sociedade. Caracteriza-se pela crença na igualdade de poder. O mal é visto exclusivamente no outro (Exemplo: ódio a classe média; direitistas vistos como racistas). Neste modelo ideológico, o Estado ou o partido adquire uma dimensão transcendente, agindo para estender seu domínio ideológico sobre todas as esferas da sociedade.

O cristianismo sempre preservou a liberdade de expressão, ao contrário de países comandados por Stalin e Hitler, onde o comunismo e o nazismo impediam a liberdade de expressão. A Bíblia nos ensina sobre a nobreza da posição dos magistrados em Romanos 13. Nele é dito que o governo civil é ordenado por Deus (Rm 13:1), e opor-se a ele significa opor-se a Deus (v.2); ele é ministro de Deus para punir o criminoso e valorizar o cumpridor da lei (v.3-4); e a ele devemos obediência, pagando tributos para que haja segurança pública.

Mas em casos de governos tiranos e corruptos, as autoridades políticas podem e devem se opor a certos tipos de governos para restaurar a ordem política. A Bíblia autoriza à desobediência civil em casos de conflitos entre as leis de Deus a as leis dos homens (Êx 1:15-21; Js 2; 1Sm 22:17; Dn 3, 6; At 4:18-20; 5:27-29. 40-42). Por isso protestos públicos e pacíficos não são contrários a moral cristã. O aspecto do protesto pacífico é algo que o povo brasileiro precisa aprender como sinal de submissão às autoridades. As leis nos asseguram o direito de manifestar nossa insatisfação com certas leis e abuso de autoridades (artigos: 5,19, 220, CF1988).

A participação social do cristão em questões cívicas é adequada e seu engajamento não deve ser desencorajado. Sua falta de envolvimento se deve ao orgulho e covardia, pois o não envolvimento cívico é contrário aos exemplos bíblicos como dos profetas Oséias, Amós e Miquéias que trataram abundantemente sobre questões sociais.

Os cristãos podem e devem servir nas esferas públicas através de uma cosmovisão cristã, e não necessariamente através de uma linguagem puramente bíblica. Precisamos confiar na providência de Deus (veja o livro de Ester) e resgatar nossa identidade com engajamento político responsável, intercedendo por nossa nação, clamando o juízo de Deus sobre líderes corruptos, e confiando os resultados nas mãos de Deus, tendo ou não êxito político.

Lembre-se o “evangelho não é um programa social (exemplo: abolição da escravatura), não defende revolução de instituições (1Co 7:17-24), mas propõe mudanças internas à estrutura social, um novo espírito que causaria tremendo impacto”. O evangelho não transforma a sociedade sem primeiro transformar pessoas. Não há transformação de sociedade à parte da transformação das pessoas. O evangelho não veio para mudar estruturas, mas transformar pessoas de forma sobrenatural, para que elas venham influenciar estruturas sociais através de uma perspectiva mais profunda, isto é, mudança de cosmovisão, pois mesmo que estruturas sociais sejam modificadas para o bem das pessoas, o coração humano procurará outros meios de oprimir as pessoas.

 

REFERENCIAL TEÓRICO

CAMPOS JÚNIOR, Heber Carlos de. Amando a Deus no Mundo: Por uma Cosmovisão Reformada. São José dos Campos: Fiel, 2019.

FERREIRA, Franklin. Contra a Idolatria do Estado: O papel do cristão na Política. São Paulo: Vida Nova, 2016.

PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta: Libertando o Cristianismo do seu Cativeiro Cultural. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

“O amor venceu o ódio”, será?

 

Este “amor incondicional” pregado por muitos cristãos progressistas pressupõe uma atitude de tolerância e afirmação que aceita tudo. Este amor incondicional traz consigo uma bagagem cultural que está relacionado as palavras: tolerância, aceitação, afirmação, amabilidade, e ligado a uma filosofia que diz que o amor não deveria impor valores, expectativas ou crenças sobre outras pessoas. Esta filosofia já está infiltrada dentro da igreja e já tem contaminado corporações inteiras.

Andar no amor de Cristo é bem diferente desse “amor incondicional” (Ef 4:32-5:2). É muito diferente daquela paz superficial, onde todos dizem: “Para mim está tudo bem. Eu aceito você como você é, do mesmo modo que aceito todo mundo. Não julgo nem imponho meus valores sobre você”. O amor incondicional parece seguro, mas o problema é que ele não tem poder.

Sempre que Cristo e a mensagem do evangelho são proclamados, a espada da perseguição segue logo atrás, e muitas vezes leva ao derramamento de sangue (Ap 6:3,4; 10:9). Jesus disse: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada” (Mt 10:34). Ele também disse: “Ouvireis falar de guerras e rumores de guerras...portanto se levantará nação contra nação, reino contra reino” (Mt 24:6-7).

Quando esse mal surge, a paz desaparece através da oposição à pregação do evangelho que resulta muitas vezes em conflitos e divisões na própria família: “Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa” (Mt 10:35-36). Vemos na Bíblia que Caim assassinou brutalmente seu irmão Abel. Caim é descrito como maligno e seu irmão Abel como justo, um filho de Deus (Gn 4:8; 1Jo 3:12).

Lembre-se de Pedro e João que foram presos por pregar o evangelho (At 4:1-4; 5:17), de Estêvão que foi apedrejado até a morte (At 7:54-60), de Policarpo o bispo da igreja de Esmirna que foi queimado na fogueira no ano de 155 d.C. Nenhum século fica sem seu cavaleiro do cavalo vermelho (Ap 6:3,4), pois o mundo está sempre perseguindo a igreja. Onde Cristo é proclamado, a espada da perseguição segue logo atrás. É Deus quem concede autoridade para o mal.

Vemos em Apocalipse que a igreja de Sardes não sofreu tribulação por parte dos judeus nem dos gentios, como as outras igrejas, por ser uma igreja “pacífica”, ou seja, “gozava a paz, mas a paz de um cemitério”, pois seu estilo de vida inofensivo garantia uma paz religiosa que resultou na sua morte espiritual aos olhos de Deus (Ap 3:1-6). Sua adaptação ao ambiente religioso evitou que a igreja fosse perseguida.

O amor incondicional segundo esses conceitos filosóficos é um engano exatamente por dizer: “Paz, paz”, quando do ponto de vista de Deus não há paz (Jr 6:14; 8:11; 23:14-16). Esse amor não exige nada. Sequer ousa mencionar as palavras arrependimento e humilhação. Esse amor não conhece a agonia da cruz. Esse amor nos relaxa, nos deixa despreocupados. Esse amor não nos deixa conhecer o maravilhoso amor de Deus.

A graça de Deus não depende daquilo que fazemos, a graça depende muito mais daquilo que Jesus fez por nós. A eleição de Deus é incondicional, mas o amor de Deus na Bíblia requer o cumprimento de duas condições: 1) perfeita obediência, e 2) um substituto que carregue o pecado.

Jesus em sua obediência ativa à vontade do Pai, foi chamado “justo”. Em sua obediência passiva, Ele sofreu a penalidade da morte (Hb 5:8,9). O conceito de “amor incondicional”, nos dá a entender que: “Lá no fundo você é bom; Deus o aceita exatamente como é, você tem valor intrínseco (próprio). Mas, essa filosofia de vida é contrária ao verdadeiro amor de Deus. Somente um filho foi chamado de justo. Somente uma pessoa agradou a Deus (Mt 3:17; Is 42:1-7). Somente em Cristo podemos ser chamados de justos. Somente em Cristo podemos ouvir que Deus se agrada de nós.

Somente em Cristo Jesus eu posso ser aceito por Deus, caso contrário continuarei sendo filho da ira e do diabo (Ef 2:3; Jo 8:44; 1Jo 3:8). Deus quer que eu dedique a minha vida à renovação à imagem de Jesus (Cl 3:10). Ninguém é salvo sem perseverar. Aquele que reivindica a graça salvadora, mas rejeita a Palavra de Deus como única regra de fé e prática não conheceu a Deus de verdade (Rm 6:1-2; Mt 7:20) e está condenado ao inferno (Ap 6:12-17; 20:14-15).

sábado, 29 de outubro de 2022

“Quem nos dará carne a comer?” (Nm 11:4)

 

Depois que o povo de Israel foi liberto da escravidão do Egito, eles tiveram de peregrinar no deserto rumo a terra prometida. Essa caminhada no deserto trouxe diversas adversidades que tinham por objetivo provar o coração desse povo, se guardariam ou não os mandamentos do Senhor (Dt 8:2). Não demorou para que o povo começasse a reclamar com relação a comida (Êx 16:3). Deus proveu o maná para alimentar e sustentar seu povo, mas eles logo se cansaram e começaram a desejar os peixes, pepinos, melões, alhos e cebolas do Egito (Nm 11:5). Preferiram voltar a viver na escravidão por causa da comida do que louvar o Senhor pela libertação. É mais fácil tirar o povo do Egito do que tirar o Egito do coração do povo. Apesar da rebeldia e murmuração sobre a falta de carne, Deus continuou a prover alimento e água para eles.

A murmuração do “populacho” que estava no meio do povo influenciou muitos israelitas enjoarem do cardápio oferecido por Deus. É muito sério murmurar contra o Senhor. Esse povo deixou o Egito e caminhou com o povo de Deus. Muitos cristãos nominais caminham junto com a igreja como se fossem o povo de Deus, mas não tem o desejo de buscar as coisas espirituais (1Jo 2:18-19), pois são falsos irmãos, obreiros fraudulentos (Gl 2:4; 2Co 11:13) e apresentam um falso evangelho (Gl 1:6-9). Esses intrusos trazem muitos problemas para a igreja (At 20:29). Jesus alertou com a parábola do “joio e do trigo” (Mt 13:24-30, 36-43) que onde quer que o Senhor plante seus verdadeiros filhos, o diabo também vem e planta sua imitações infiltrando-se na comunidade da igreja (Jd 4).

O evangelho não é um programa social (como abolição da escravatura), não defende revolução de instituições (1Co 7:17-24), mas propõe mudanças internas à estrutura social, um novo espírito que causaria tremendo impacto. O evangelho não transforma a sociedade sem primeiro transformar pessoas. Não há transformação de sociedade à parte da transformação das pessoas. O evangelho não veio para mudar estruturas, mas transformar pessoas de forma sobrenatural, para que elas venham influenciar estruturas sociais através de uma perspectiva mais profunda, isto é, mudança de cosmovisão, pois mesmo que estruturas sociais sejam modificadas para o bem das pessoas, o coração humano procurará outros meios de oprimir as pessoas.

Precisamos estar de olhos bem abertos e de sobreaviso com este “populacho” que se denomina cristão na comunidade da igreja, mas que vive com uma conduta contrária aos mandamentos do Senhor defendendo candidatos esquerdistas que apoiam o aborto, a liberação das drogas, a ideologia de gênero e o enfraquecimento da lei e da ordem em troca de uma refeição saborosa. Estes reivindicam a graça salvadora de Deus, mas negam sua Palavra como única regra de fé e prática. Se esquecem de que a forma como tratam a Palavra de Deus é a forma como tratam o próprio Senhor, pois rejeitar o seu maná, é o mesmo que rejeitar a Deus (Nm 11:20).

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Procura-se um rei: como a falta de convicção e coragem de um povo pode afundar uma nação iludida

 

Em Juízes 9:7-21 encontramos a primeira parábola registrada nas Escrituras, conhecida como a “Parábola das Árvores”, descrita por Jotão, filho de Gideão, o único sobrevivente do massacre realizado em Ofra pelo seu meio irmão Abimelque (Jz 8:31) que assassinou seus sessenta e nove meios irmãos. A parábola diz que as árvores estavam procurando um rei. Foram até a oliveira com seu óleo valioso e a figueira com seus frutos doces, também abordaram a videira com seus cachos de frutas das quais se podia fazer o vinho, mas todas se recusaram a honra. Cada uma delas teria de abrir mão de algo valioso para reinar sobre a nação, mas não estavam dispostas a fazer nenhum sacrifício para isso (Jz 8:22-23).

Então restou um espinheiro considerado uma praga na terra e que servia apenas de lenha para as fogueiras. O espinheiro simbolizava o novo rei Abimeleque. Por que ninguém deteve essa matança nem defendeu a família de Gideão? Por que o povo de Israel havia se esquecido tanto da benevolência de Deus quanto da bondade de Gideão em livrá-los das mãos dos midianitas (Jz 8:33-35). Essas pessoas não tinham convicção suficiente para se preocupar nem coragem suficiente para intervir.

O “rei-espinheiro” convidou as outras árvores a confiarem e se refugiarem em sua sombra (v.15), porém, refugiar-se em um espinheiro era algo muito perigoso, pois no verão era comum haver incêndio nos espinheiros, e quando o fogo se espalhava ameaçava as outras árvores (ver 2Sm 23:6-7; Is 9:18-19). Este “rei-espinheiro” não seria capaz de proteger seu povo, ao contrário, ele traria mais desgraça a nação.  

Se você é um cristão brasileiro que ainda está com dúvidas em quem votar neste segundo turno para presidente do Brasil, não fique em cima do muro, pois votar em branco ou anular seu voto é uma demonstração clara de covardia (falta de convicção e coragem). Votar em alguém que adere uma ideologia contrária aos princípios da fé cristã, também é uma demonstração clara de falta de convicção e coragem. Gideão é conhecido na história como um homem de FÉ e CORAGEM, pois venceu o grande exército dos midianitas com apenas 300 homens, uma demonstração de humildade e dependência de Deus, porém, infelizmente no final de sua vida ele levou a nação a se prostituir ao fazer uma estola sacerdotal (Jz 8:27).

Isso significa que não devemos colocar nossas esperanças em homens, pois nunca teremos um presidente infalível, mesmo sendo usado por Deus para trazer libertação ao seu povo. O reino de Deus não é terreno, político ou militar, pois ele governa a terra através do seu Espírito (Lc 17:20-21; Zc 4:6). Porém, é nossa responsabilidade orar e interceder por aqueles que governam sobre nós para que possam reger a nação com a sabedoria e justiça de Deus (1Tm 2:1-2; Pv 8:15-16), e como vivemos em um Estado democrático, devemos eleger através do voto consciente candidatos comprometidos com propostas e leis que sejam derivadas da lei de Deus, conforme revelada nas Escrituras, pois essa é a fonte última e absoluta da ética pessoal, eclesiástica e social.

O socialismo é uma visão de mundo rival do cristianismo, portanto a ideologia de esquerda é incompatível com os princípios da fé cristã, exatamente por apoiar regimes de governos autoritários e totalitários. Esta ideologia não privilegia a liberdade individual, econômica e a garantia dos direitos individuais, sendo os limites o respeito à vida, à propriedade e à liberdade dos demais.

Não se iluda com promessas de voltar a “beber uma cervejinha e comer uma picanha no fim de semana” enquanto o país é enganado com as manobras contábeis ou “contabilidade criativa” que foi uma estratégia do governo do PT desde o ano de 2009 para apresentar a nação um relatório que fingia atingir a meta do superávit primário, e o pior, essa estratégia usava dinheiro de instituições financeiras como empréstimos antecipados para pagar suas obrigações. A despesa que deveria ter sido contabilizada, não era registrada, e a receita que não deveria ter sido contabilizada, essa sim era registrada. No papel, as metas do superávit foram cumpridas, mas o endividamento real só aumentava. A meta do governo era crescer, e isso não importava os meios para se chegar aos objetivos pretendidos.

Não se iluda com quem diz estar “preocupado” com o desmatamento enquanto milhares de bebês estão e serão assassinados através do aborto que este “espinheiro” quer legalizar. Não se iluda com promessas de altos investimentos na “educação” enquanto milhares de pais poderão perder seus filhos com a legalização da maconha, da cocaína e da ideologia de gênero nas escolas do nosso país que este “espinheiro” tanto apoia.

Tenho minhas divergências com várias coisas com relação ao atual presidente de nosso país, principalmente na sua forma de comunicação, porém, tenho convicção de que ele ainda continua sendo a melhor opção para o nosso país neste momento: ele defende os valores da família, a liberdade econômica, a liberdade religiosa, a punição de criminosos e a segurança do cidadão de bem, a proteção da vida desde sua concepção no ventre materno (é contra o aborto, a ideologia de gênero e a descriminalização das drogas), a proteção de propriedade privada e etc. Independe de gostar ou não da pessoa dele, a questão agora é ter convicção de votar em alguém que tem coragem de defender os valores que nós cristãos defendemos, por isso meu voto será indiscutivelmente a favor das cores da bandeira da nossa nação no dia 30 de outubro de 2022, ou seja: bolsonaro22.

Lembre-se, confiar e se refugiar na sombra de um espinheiro é apenas ilusão, pois ele não será capaz de proteger seu povo, ao contrário, trará mais desgraça a nação.

O jovem rico

A conversa de Jesus com o jovem rico em Marcos 10:17-22, se dá num clima de admiração e respeito . Esse é o tipo de jovem que todo pastor g...