terça-feira, 10 de setembro de 2013

Um jovem, uma missão, uma esperança




Você deve estar se perguntando que jovem é este, e de que se trata sua missão, e que esperança é essa? Vamos conhecer hoje a história do profeta Jeremias. Em sua época, Jeremias pode ter sido, aos olhos dos homens, considerado um fracassado, mas ao lermos sua história, vemos um dos maiores exemplos das Escrituras em termos de fé e de coragem. Jeremias viveu num tempo totalmente conturbado, e mesmo correndo perigos a ponto de perder a sua vida, ele permaneceu fiel diante do seu Senhor. Veremos neste pequeno estudo, que este homem, recebeu seu chamado ainda jovem, e sua esperança no futuro era ver o povo de Judá ser purificado pelo julgamento de Deus através do exílio babilônico, voltar para o seu Senhor e ser restabelecido novamente em sua terra.

UM JOVEM
Jeremias nasceu na cidade de Anatote, ao norte de Jerusalém, era cidade sacerdotal e ficava na tribo de Benjamim (Js 21:18), cerca de uma hora de caminhada de Jerusalém. É provável que ele tenha nascido pouco depois de 650 a.C, e cresceu num tempo em que a idolatria prosperava em Judá.
Jeremias recebeu seu chamado como profeta quando tinha cerca de vinte anos de idade em 626 a.C. no décimo terceiro ano do reinado de Josias. Seu pai Hilquias, era um sacerdote. Portanto Jeremias logo iria se ingressar em seu ministério sacerdotal, pois os sacerdotes pertenciam a uma tribo especial, um rei e profeta não podiam exercer o ofício de um sacerdote, porém, um sacerdote e um rei poderiam exercer este ofício, caso fosse chamado por Deus. E foi o caso de Jeremias. Jeremias como Moisés, sentiu-se inapto para esta tarefa. Pois acreditava que sua juventude seria um empecilho ao anúncio da palavra de Deus. “Então, lhe disse eu: ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR” (Jr 1:6-8). E que palavra! E que público hostil! Ele sabia que, tal pregação não seria bem vinda. Segundo a palavra de Deus para sua vida, em seu ministério Jeremias teria autoridade para:
  • ·         Arrancar e derribar
  • ·         Destruir e arruinar
  • ·         Edificar e plantar
“Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras. Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares” (Jeremias 1:9,10).
Jeremias teria que desconstruir tudo aquilo havia sido construído há anos pelo povo, anunciar o julgamento vindouro caso não se arrependessem e tornassem ao Senhor. Seria uma tarefa nada fácil, denunciar o pecado de todo o povo e de seus governantes, toda a prostituição, idolatria e falsidade praticada por eles. Mas ele também anunciaria as promessas de Deus, a esperança de que Deus os plantaria novamente naquela terra e seriam totalmente restaurados.
1.       A Visão da vara de amendoeira (Jr 1:11-12).
Quando a mão de Deus tocou a boca de Jeremias, deu-lhe poder e autoridade. A visão era uma garantia, de que Deus cuidaria de cumprir suas palavras, ou seja, ele prometeu “velar” por elas até que fossem cumpridas. Em Israel a amendoeira floresce em janeiro, indicando que a primavera está chegando. A palavra em hebraico para amendoeira é “Saqed”, enquanto a palavra velar ou vigiar é “Soqed”. Deus usou esse jogo de palavras para chamar a atenção de Jeremias para o fato de que ele está sempre acordado ou vigiando, para velar sobre sua Palavra e cumpri-la. Jeremias passaria um período muito difícil em seu ministério, Deus ordenou que Jeremias nunca se casasse nem tivesse filhos. Tal celibato era raro entre os judeus, mas simbolizava a esterilidade de uma terra sob julgamento (Jr 16:1-13), ao contrário do profeta Oséias que sofreu vergonha e reprovação por causa de uma esposa perversa.

UMA MISSÃO
Jeremias pregou a nação durante quarenta anos. Creio que Jeremias não imaginava que seu ministério levaria tanto tempo, mas ele viveu tempo suficiente para ver Jerusalém e seu amado templo serem destruídos pelo exército babilônico, e o povo levado cativo para Babilônia. Não é a toa que Jeremias é conhecido como “profeta chorão”. Seu ministério foi difícil, pois ele teve de destruir antes de construir e de desarraigar antes de plantar. Era necessário mexer nas estruturas. E com certeza é algo que o povo não queria. Não voltaram de todo coração a Deus, mas fingidamente (Jr 3:10).
Jeremias foi odiado sem motivo (Lm 3:52), foi ridicularizado pelos líderes judeus (Lm 3:14), foi rejeitado pela própria família (Jr 11:21 – 12:6). Além de tudo, outros profetas de Jerusalém, pessoas mais habituadas aos caprichos do povo do que à palavra de Deus, opuseram-se a Jeremias. Esses falsos profetas contradiziam sua mensagem, pregando paz e segurança em lugar de julgamento. Eram tão envolvidos nos pecados dos compatriotas judeus que não podiam clamar. “Mas nos profetas de Jerusalém vejo coisa horrenda; cometem adultérios, andam com falsidade e fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se convertam cada um da sua maldade; todos eles se tornaram para mim como Sodoma, e os moradores de Jerusalém, como Gomorra” (Jr 23:14). Deve ser muito doloroso amar uma nação e ser rejeitado por ela. O mesmo acontece com muitas vidas. Deus levanta homens e mulheres dispostos a dar a vida por aldeias, igrejas, famílias, pais, mães, irmãos, e depois são rejeitados e ridicularizados, pois preferem ouvir conselhos de falsos profetas e aquilo que satisfaz o ego. Não voltaram de todo coração para Deus, mas fingidamente. Jesus passou por tudo isso aqui na terra, foi rejeitado e escarnecido pelos seus.

UMA ESPERANÇA
Um campo em Anatote (Jr 32:1-44) – Décimo ano de reinado de Zedequias (587 a.C).
Este é o capítulo que mais me emociona, e entenderemos porque. A palavra em hebraico para Anatote é “respostas à oração”. “Disse, pois, Jeremias: Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Eis que Hananel, filho de teu tio Salum, virá a ti, dizendo: Compra o meu campo que está em Anatote, pois a ti, a quem pertence o direito de resgate, compete comprá-lo” (Jr 32:6,7). Aqui vemos um Deus grande em conselho e magnífico em obras, porque para ele coisa alguma é demasiadamente maravilhosa! Jeremias pregava a palavra com verdade, como fogo (Jr 23:28,29). Neste momento, com mais de 60 anos de idade, além de pregar destruição e julgamento de Deus sobre a nação, ele também vê esperança no futuro. Nos últimos dias de Israel, Jeremias demonstrou sua confiança em Deus comprando uma propriedade da família em Anatote. Uma coisa totalmente ilógica. Quem faria uma transação como esta? Comprar uma propriedade num campo de batalha? Jeremias estava na prisão, a cidade já estava entregue nas mãos dos caldeus, contudo, Deus diz para ele comprar uma um campo. “Eis aqui as trincheiras já atingem a cidade, para ser tomada; já está a cidade entregue nas mãos dos caldeus, que pelejam contra ela, pela espada, pela fome e pela peste. O que disseste aconteceu; e tu mesmo o vês. Contudo, ó SENHOR Deus, tu me disseste: Compra o campo por dinheiro e chama testemunhas, embora já esteja a cidade entregue nas mãos dos caldeus” (Jr 32:25). Assim é a fé: obedecemos a Deus apesar do que vemos, de como nos sentimos e sem saber o que acontecerá depois. Muitos devem ter pensado que ele estava louco em investir numa propriedade sem valor. Alguns devem ter rido dele. Jeremias até chegou a ficar confuso com a transação, mas Deus em reposta, mostrou que não há nada demasiadamente maravilhoso para ele, que faria com eles aliança eterna (Jr 32:40) e lhes restauraria a sorte (Jr 32:44).


APLICAÇÕES:
1). Não pense que por ser jovem, você não está apto para anunciar a verdade de Deus ao mundo e as pessoas para onde Deus te levar. Jeremias teria uma vida muito mais tranqüila se tivesse permanecido em seu ofício de sacerdote. Porém ele recebeu seu chamado e seguiu no seu novo ministério, que seria totalmente imprevisível, sem saber o que aconteceria com sua vida, e permaneceu fiel ao seu Senhor. Lembre-se da vara de amendoeira, Deus está velando para que sua palavra seja cumprida. “Não há crescimento sem desafio, e não há desafio sem mudanças” (Warren W. Wiersbe).
2). Em sua missão Jeremias foi odiado sem motivo pelos líderes judeus e até por seus parentes. Deus tem uma missão para sua vida. Fique atento a sua voz, através do Espírito e da Palavra. Prepare-se, estude, cresça e desenvolva sua fé em Cristo, as mudanças, desafios e oposições irão ajudar a você exercitar seus “músculos espirituais”. O Senhor será contigo por onde quer que ande.
3). Não perca a esperança, creia. Jeremias confiou e comprou aquele campo em Anatote. Mesmo que pareça que você esteja fazendo papel de tolo aos olhos das pessoas, confie no Senhor. Deus prometeu que restauraria a sorte do seu povo e eles voltariam a lançar suas raízes na terra e dariam frutos novamente. O que para as pessoas pode não ter mais jeito, não ter mais conserto, lembre-se do campo de Anatote, da esperança que Jeremias tinha na palavra de Deus, que não há nada demasiadamente maravilhoso para ele. Deus pode mudar qualquer situação, mesmo que impossível, ilógico, que fuja da nossa compreensão. Não perca a esperança, lute, permaneça fiel, ore!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Por que existimos? E para que vivemos? – Parte ll



 Caro leitor, vimos no estudo anterior que, em Cristo, todas as coisas foram criadas, tudo foi criado por meio dele e para ele (Cl 1:16), e que o homem foi feito para o louvor da sua glória (Ef 1:12) e que devemos fazer tudo para a glória de Deus (1 Co 10:31). A glória de Deus independe de qualquer ação humana (At 17:25), pois a glória de Deus é a honra e o esplendor que ele possui desde a eternidade, mas, podemos resplandecer a sua luz, demonstrar a sua glória vivendo uma vida de testemunho real, em obediência e amor ao seu nome.
Neste mês aprenderemos que Deus revela sua verdade não somente pela bíblia, mas também por meio do que chamamos de “revelação natural ou geral”. Ela pode ser percebida por todos os homens. Em Salmos 19 e Romanos 1 encontramos alguns atributos de Deus revelados ao homem através da sua criação, como: a sua glória (Sl 19:1), sua sabedoria (Sl 19:2), sua justiça (Rm 1:18), seu eterno poder (Rm 1:20) e sua divindade (Rm 1:20). Porém esta revelação geral é distorcida pelo homem não regenerado, vejamos: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite” (Sl 19:1,2). “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus (...)” (Rm 1:18-21), “mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!” (Rm 1:25).
Quando o apóstolo Paulo esteve na cidade de Atenas, em Atos 17:16-31, seu espírito se revoltou em face da idolatria dominante naquela cidade. Aquela cidade não tinha conhecimento algum das Escrituras, porém eram religiosos. Atenas era o centro filosófico do mundo naquela época. Era um cenário totalmente paganizado. É assim que os homens pagãos respondem à revelação geral, tentam suprimir e distorcer a verdade. Estes homens pagãos, consideram sua multiplicidade de deuses uma virtude, e Paulo apresenta esta virtude como ignorância dos atenienses e os conclama ao arrependimento (Rm 1:30).
Hoje estamos vivendo em uma era de “sincretismo” e “nominalismo cristão”. A mídia está tentando harmonizar todos os tipos de crenças para ligá-las a Cristo. O sincretismo é uma síntese entre a fé cristã e outras religiões, a mensagem bíblica é progressivamente substituída por pressuposições e dogmas não-cristãos. E quando a mensagem bíblica não é transmitida de maneira correta, sendo má compreendida, vemos aí o nominalismo cristão, que são pessoas interessadas pelo evangelho, mas sem verdadeira conversão. A religião falsa é produto do conhecimento pervertido que o homem tem de Deus.
Revelação geral + Pecado = Idolatria (a criação de Deus sendo adorada pelo homem decaído). Este é o impacto causado na vida do homem sem Deus. Ele é incapaz de adorar e servir o Criador, porém, adora e serve a criatura. Prostra-se perante homens e imagens esculpidas por mãos humanas, e retêm a supremacia e preeminência que é devida somente a um Deus, “que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas” (At 17:24) e o seu nome é Jesus. Ele o cabeça da igreja (Cl 1:18).

domingo, 18 de agosto de 2013

Por que existimos? E para que vivemos?



 É muito comum as pessoas se perguntarem por que todas as coisas existem,  por que eu existo ou qual seria o sentido real da sua existência. Todos nós temos dúvidas enquanto nossa existência. Nascemos, crescemos, estudamos, sonhamos em ter uma profissão, encontrar aquela pessoa especial para nos casarmos, sonhamos em ter filhos, vivemos em mundo onde podemos desfrutar e apreciar belas paisagens, a luz do sol, a lua e as estrelas, os oceanos, as montanhas, os animais, mas qual seria a finalidade de tudo isso? A resposta é muito simples, mas penso que até mesmo cristãos não sabem responder, pois, muitos ainda não estão vivendo “Para a Glória de Deus”. Isso mesmo, “[Em Cristo] foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Colossenses 1:16). “Porque dele, e por meio dele, e pare ele são todas as coisas” (Romanos 11:36). “(...) trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os criei para minha glória, e que formei, e fiz” (Isaías 43:6-7). “A fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo” (Efésios 1:12). “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10:31).
Quero deixar bem claro que a glória de Deus independe de qualquer ação humana, pois a glória de Deus é a honra e o esplendor que ele possui desde a eternidade, ou seja, a palavra “para” não quer dizer “para sua necessidade” ou “para seu benefício” Deus não “é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (Atos 17:25). Viver para louvor da sua glória significa viver uma vida de testemunho real, ou seja, uma vida que resplandece sua glória, que demonstra sua glória, que vive para sua glória.
É maravilhoso vivermos para glorificar nosso Senhor. Alguns meses atrás foram publicados neste blog estudos sobre “A natureza humana”, ali aprendemos que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus, isso significa que ele nos fez com atributos semelhantes aos seus, como justiça, amor, bondade, santidade, porém, o homem caiu no seu estado de miséria após ter pecado, e hoje através de Jesus Cristo podemos voltar até ele e vivermos para a sua glória até o dia da glorificação em Cristo quando ele voltar (Rm 8:17-23).
Estamos vivendo em uma época de manifestações devido à corrupção do estado. Muitos dizem que o “país acordou”, mas a mudança que todos querem deve partir de dentro para fora, e não de fora para dentro. O que quero dizer é que a essência da corrupção está em nós, eu já disse aqui e volto a dizer, “os políticos são nada menos que o espelho do povo”. Como podemos viver para glorificar a Deus se estamos comprando e vendendo diplomas, passando cheques sem fundo, defraudando, mentindo, sonegando impostos, traindo a esposa o esposo?
Ore, peça a Deus que sua família viva para glorificar a Deus, que seu casamento seja para glória de Deus, que seus filhos sejam criados para glória de Deus. Glorifique a Deus no seu trabalho, na igreja, no seu namoro, espere em Deus pela pessoa certa e seu casamento será uma benção. Glorificar a Deus é responsabilidade moral de todos os seres humanos. Termino este estudo nas palavras do Breve Catecismo de Westminster, “O fim principal do homem é glorificar a Deus e alegrar-se nele para sempre” e nas palavras dos reformadores, “Somente a Deus seja a glória” (soli Deo gloria).

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Separados pelo Espírito e enviados para a obra a que nos foi chamado



“Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram” (Atos 13:1-3).

Logo após a morte de Estêvão, o evangelho se espalhou pelos povos gentílicos devido a perseguição a igreja em Judá; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria. Então, estes que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão se espalharam até a Finícia, Chipre e Antioquia na Síria (At 8:1; 11:19). A palavra traduzida por “dispersos” (diaspeiro) em Atos 8:1,4 significa “espalhar sementes”, o propósito da perseguição foi exatamente para plantar os cristãos que estavam em Jerusalém em novo solo, nova terra, para gerar frutos.
Jerusalém deixaria agora de ser o centro do ministério cristão, agora Antioquia da Síria tornaria o novo centro. Paulo esteve na igreja de Antioquia durante um ano com os profetas e mestres ensinando numerosa multidão naquela igreja (At 11:26). Havia ali cinco líderes da igreja em Antioquia: Barnabé (natural de Chipre At 4:36), Simeão (provavelmente um africano de sobrenome “Níger” = “Negro”), Lúcio (de Cirene provindo do norte da áfrica), Manaém (provavelmente o irmão de Herodes Antipas) e Saulo.
O versículo 2 de Atos 13 que é o versículo chave de nosso estudo, inicia com uma ação coletiva “e servindo eles ao Senhor”. Mas como eles serviam ao Senhor? A raiz do verbo que expressa que eles “serviam” ao Senhor é “leitourgos” – o edificador (grego leitourgia = liturgia). Refere-se àquele que serve ao Senhor sendo usado por ele para abençoar e edificar o seu irmão. Eles eram “abençoadores” ou “edificadores” do corpo de Cristo. Este termo é diferente ao termo citado para os sete helenistas escolhidos para servir as mesas em Atos 6:1,2 “diakonos, diakoneo = distribuição, servir) que significa servir as necessidades do corpo de Cristo.
Note que esta característica apontada pelo texto presente na vida destes homens é o diferencial na vida de um cristão, pois eles estavam servindo a Deus em sua igreja local, eram abençoadores e edificadores, eram uma benção na igreja onde trabalhavam. Não foi por  competência intelectual, título ministerial ou conhecimento teológico profundo, mas por sua fidelidade de vida em relação aos de perto. Estes homens foram separados e enviados para uma obra missionária, porque eram benção onde atuavam. Jamais se deve enviar alguém para uma obra missionária pessoas que não são uma benção perto. Esta obra a que me refiro especificamente é ao “Plantador de Igrejas”. Se este plantador de igrejas não demonstra nenhum interesse em cooperar na evangelização no seu local de trabalho, no seu campo de ação, ele certamente não demonstrará nenhum interesse para o lugar que for enviado.
Agora eu quero fazer uma pergunta, você tem sido um leitourgos no dia a dia de sua casa? Sua esposa e seus filhos o reconhecem com esta característica? Não adianta ser um líder destacado nos púlpitos de sua igreja ou em seminários, se for um fracasso com a sua família. Tenha o testemunho de Cristo primeiramente entre os seus. Somente isto o tornará qualificado para o envio. E se nossa comunidade cristã não demonstra ser leitourgos, abençoadora com aqueles com a qual convive dia a dia, culto a culto, dificilmente fará diferença em outros lugares, jamais irá plantar igrejas. Igreja planta igrejas.
Continuando nosso estudo, o texto diz que “servindo eles ao Senhor, disse o Espírito Santo: Separai-me”. O conteúdo desta expressão “separai-me” (aphorisate), do verbo “aphorizo” também usado em Mateus 25:32 quando o pastor separa as ovelhas dos carneiros, trata-se de uma separação para uma função, ou seja, eles estariam ligados a igreja, mas agora estariam designados para uma função além da igreja local. Paulo e Barnabé seriam separados primeiramente porque foram chamados. Os líderes estavam em jejum e oração, e logo em seguida “impondo sobre eles as mãos...” trás a expressão “ epithentes tas cheiras”, que possui vasto significado. Os principais são:
  • ·         Sinal de autoridade. Significa que possuíam a autoridade eclesiástica para trabalharem em prol da igreja mesmo onde ela não estivesse presente, como comunidade.
  • ·         Sinal de reconhecimento. A liderança da igreja os reconheceria como homens dotados das qualidades e características para aquela função.
  • ·         Sinal de cumplicidade. A igreja continuaria responsável por eles, amando-os, desejando o melhor para suas vidas, até sustentando-os.
Terminando nosso estudo, onde diz “os despediram” (apelusan), do grego “apoluo” que significa “fazer as honras do envio”.  Creio que foram despedidos com um culto com a igreja reunida para enviá-los.
Concluindo, Deus tem separado nossas vidas porque ele nos chamou para sua obra na terra, na cidade onde estamos. A igreja não perde membros ela envia obreiros, ela deve entender que sua missão deve estar subordinada a Missão de Deus à “Missio Dei”. Igreja planta igrejas. Precisamos reconhecer a razão e o propósito de estarmos aqui. Fomos separados porque éramos benção onde atuávamos e hoje ele nos chamou para plantar uma igreja, uma igreja que irá futuramente plantar outra igreja. Que nossos líderes reconheçam que seus membros precisam de apoio, como sinal de autoridade, reconhecimento e cumplicidade. Impondo as mãos sobre as cabeças e abençoado os obreiros. Sem isto, o cordão umbilical é rompido. Sem jejum e oração não saberemos o que isso significa. Tudo deve ser feito para a glória de Deus, amém!




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Lidório, Ronaldo. Plantando igrejas. Teologia bíblica, princípios e estratégias de plantio de igrejas. Cultura Cristã. São Paulo - 1ª Ed. 2007.
Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento: volume I. Santo André, SP: Geográfica editora, 2006.
Bíblia de Estudo de Genebra. 2 Ed.Barueri SP: Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

O jovem rico

A conversa de Jesus com o jovem rico em Marcos 10:17-22, se dá num clima de admiração e respeito . Esse é o tipo de jovem que todo pastor g...