quarta-feira, 22 de março de 2017

Sossegai, Salmo 131



“SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim.
Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo.
Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre”
(Salmos 131:1-3)

Ao ler este salmo pensei: Senhor, como posso me apropriar das palavras de Davi e dizer que meu coração não é soberbo, que meus olhos não são altivos, que não estou a procura de coisas que estão fora do meu alcance? Como posso dizer que minha alma está tranquila e sossegada, e que minhas esperanças estão somente em Ti?
Virei o salmo ao avesso (antisalmo) e entendi que para começar a viver estas palavras preciso compreender que:

“Senhor,
Meu coração é soberbo (quero reconhecimento, quero minha vontade, quero glória, quero que Deus faça o que eu quero, quero ser Deus).
Meus olhos são altivos (desprezo outras pessoas, pois o olhar altivo diz: “sou melhor que você”, até mesmo quando me sinto com baixa autoestima julgo os outros e os trato com inveja, ódio e críticas, seja como for o orgulho me ensina sempre a encontrar alguém a quem desprezar).
Corro atrás de coisas grandes e difíceis demais para mim, e isso acontece de forma natural, como uma criança faminta, birrenta e agitada no colo de sua mãe, como esse bebê estou inquieto com minhas exigências e preocupações. Isso faz com que acabe me machucando de alguma forma.
Todo momento derramo minhas esperanças sobre qualquer coisa, ao invés de confiar e esperar somente em Ti”

Meu próprio egoísmo e senso de direito contribuem para ampliar ofensas mínimas tornando-as em crimes capitais. Meus próprios pecados provocam outros a pecarem contra mim em resposta, fazendo com que colha aquilo que plantei.

Senhor,
“...fiz calar e sossegar a minha alma...”, aprendi que essa calma interior não é espontânea, mas é alcançada de forma proposital e consciente. Essa calma interior vem em meio a ação, aos relacionamentos e aos problemas. Essa calma interior é uma forma de autodomínio por meio da sua graça.

terça-feira, 14 de março de 2017

Desenvolvendo relacionamentos piedosos

Para que o povo de Deus não seja tão afetado, dividido e confuso pelo clima de incertezas por questões que dizem respeito aos direitos das pessoas, papeis do marido e da mulher e suas responsabilidades, a autoridade que cada um deva exercer na esfera da família, igreja e estado, e que estão sempre sendo contestados e exigidos por todos, é preciso buscar sabedoria na Palavra de Deus para sermos capacitados a crescer em unidade e maturidade, e Efésios 5:2 a 6:9 nos oferece o que podemos chamar de sanidade para este crescimento.

Pessoas e líderes intransigentes e autoritários contradizem o que o Senhor diz de dar a si mesmo. Quando alguém faz prevalecer a própria vontade em detrimento da vontade de Deus de dar amor, sua conduta moral torna-se perversa. A meta dessa pessoa e líder é ter a submissão de outros à sua vontade imperiosa, porque ela se tornou seu alvo, e essa tendência enfraquece as palavras de Cristo.

Alguns líderes quando são desafiados costumam dizer as seguintes frases:

“Eu sou o diretor desta escola, e aprendi a vencer intimidando os alunos, pais, professores e funcionários”
“Eu sou pai (ou mãe) e o que digo é lei”
“Eu sou o pastor dessa igreja, se me desafiar, você vai se arrepender”

Quando somos chamados para liderar, devemos fazer isso seguindo o modelo de Cristo:

“Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser servo de todos”
(Marcos 10:42-44)

Existem tendências libertárias como as autoritárias que devem ser confrontadas em amor.

O libertário tem consciência dos graves pecados da tirania e do abuso, da desigualdade de poder e da injustiça. Ele aspira desenvolver a mutualidade e a humildade e proteger os mais fracos, mas perde de vista a importância que nosso Senhor coloca sobre a submissão da esposa ao marido, dos filhos aos pais, dos alunos com seus professores, e que Deus reprova a insubordinação que é um grave pecado (2 Pe 2:10).

Os autoritários têm percepção dos graves pecados da anarquia e desrespeito, do individualismo obstinado e da desordem. Eles aspiram respeitar uma autoridade devidamente constituída e proteger a ordem da qual a vida humana floresce e viceja, mas perdem de vista a importância que Cristo dá ao amor paciente que o marido deve ter com sua esposa, que os pais devem ter com seus filhos, que os patrões devem ter com seus empregados, e sua reprovação ao autoritarismo com sendo grave pecado (Mc 10:42-45).

Reações combativas são usadas por aqueles que se interessam mais em vencer uma discussão do que preservar um relacionamento. O conflito para estas pessoas são oportunidades para defender os seus direitos, de controlar os outros, ou de tirar vantagem da situação. Estas pessoas estão dispostas a sacrificar os relacionamentos e a harmonia no lar, no trabalho, na igreja para alcançar o que querem.

É preciso aprender como amar e como reconciliar-se com aqueles que nos ofendem, pois agindo dessa forma estas pessoas que se opõem ao evangelho serão mais capazes de acreditar quando falarmos a respeito do amor e o perdão de Deus (Jo 17:23).

Aqueles que não se submetem a Cristo, seguem os desejos do corpo e da mente e andam em trevas.

Texto base: Efésios 5:2 ao 6:9

sexta-feira, 10 de março de 2017

Bons princípios esvaziados do Senhor, “descristificados”, só podem servir ao ego


Eu tenho muita dificuldade em ouvir mensagens do tipo: “Seis passos para um casamento bem-sucedido”, ou “Quatro dicas para organizar sua vida”. Muitos conselhos podem até ser úteis, mas são fracos e não tem poder diante da Palavra de Deus. Eles expressam uma analogia superficial à sabedoria bíblica. Não passam de imitações da verdade bíblica.

O alvo da pregação do evangelho deve ser muito maior do que oferecer “dicas de vida”. Qual era o alvo do apóstolo Paulo em suas tantas cartas enviadas para tantas igrejas de tantos lugares? Que Deus abrisse o coração das pessoas para que tivessem conhecimento de Cristo no poder do Espírito Santo.

Vemos em Efésios capítulo 4:25-32 que Paulo ensina vários princípios importantes como:
  • Dizer a verdade e não mentir
  • Permanecer calmo e ter domínio da ira
  • Falar palavras construtivas e não destrutivas
  • Perdoar o próximo em vez de discutir, argumentar ao invés de mexericar

Estes são excelentes princípios, e em seu cerne está o conhecimento de Jesus Cristo, a razão pela qual obedecemos a verdade.

Por que devemos falar a verdade e não mentir? Porque somos um só corpo em Cristo e membros um dos outros.

Por que devemos resolver nossos conflitos de forma imediata? Para que o diabo não tenha onde pisar, fazendo conflitos interpessoais apodrecerem em dissensão.

Por que devemos falar de modo construtivo? Para não entristecer o Espírito Santo no qual fomos selados para o dia da redenção.

Por que devemos perdoar uns aos outros? Porque Deus nos perdoou em Cristo, e devemos fazer o mesmo.

Se o objetivo dessas mensagens são uma mera reforma de obter sucesso nos relacionamentos interpessoais eles não passam de bons princípios esvaziados do Senhor, pois são conselhos “descristificados”.

Fico imaginando como a igreja de hoje trataria um conflito semelhante ao de Paulo com Pedro em Gálatas 2. Ali vemos o Apóstolo Pedro se afastando dos gentios, deixando de comer com eles por causa da marca externa da circuncisão. A igreja estava prestes a se dividir em dois grupos: circuncisos (Judeus) e incircuncisos (Gentios).

O cerne da questão não foi: discriminação, racismo ou preconceito, embora tudo isso seja condenável aos olhos do Senhor, mas foi a repreensão de Paulo com Pedro diante de todos sobre justificação pela fé em Cristo Jesus e não através das obras da Lei. Se Paulo tratasse do problema concentrando-se nas palavras racismo, discriminação ou preconceito, a mensagem do evangelho teria sido suprimida e não conheceríamos umas das mais belas passagens bíblicas sobre a justificação pela fé em Cristo, mas veríamos o relato de homens glorificando o comportamento pecaminoso das pessoas ao invés de visar a glória de Deus.

Bons princípios esvaziados do Senhor, ou seja, “descristificados”, só podem servir ao ego.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Nossas deficiências e fraquezas: podemos ser bons naquilo que mais falhamos?


Nós cristãos sempre seremos tentados em nossas fraquezas, até porque nosso inimigo conhece bem nossos pontos fracos (Tg 1:17). A boa notícia é que Deus pode nos providenciar um escape (1 Co 10:13), e podemos ser bons naquilo que mais falhamos ontem e hoje (2 Co 12:10).

John Knox, o grande pregador da justificação pela fé, quando estava morrendo, foi tentado a gloriar-se em sua própria coragem por Cristo, mas lutou contra esse mau pensamento e o superou (tentação da autojustiça).

Muitos devem se lembrar do piloto Ayrton Senna, muito famoso por ser campeão em pistas molhadas; muitos dizem que ele gostava de correr na chuva, o que não é verdade. Ele detestava correr em pistas muito molhadas. O fato é que em sua juventude, depois de uma péssima prova em uma pista molhada, ele passou a treinar muito quando chovia em São Paulo, e acabou se tornando um grande campeão em pistas molhadas.

Você acha que, quando um homem é muito paciente, ele não é tentado à impaciência? Irmão, o Espírito de Deus diz em Tiago: “Ouvistes sobre a paciência de Jó” (5:11). Sugiro a você esta pergunta: “Você não ouviu falar da impaciência de Jó?”. Você já ouviu falar, sem dúvida da grande fé de Pedro. Nunca ouviu falar da incredulidade de Pedro? Você deve ter ouvido falar da fé e coragem de Gideão, mas no início de seu chamado ele mesmo não sabia do seu grande potencial, pois tinha medo e era um incrédulo. Gideão começou sua carreira como um covarde (Jz 6:27), mas no final foi um grande conquistador e libertador de Israel.

Os membros do povo de Deus costumam falhar precisamente naquilo em que são mais famosos, e, no que diz respeito às biografias bíblicas, o homem que tem maior notoriedade por toda a obra do Espírito de Deus em sua vida geralmente é o que falhou exatamente onde pensava ser mais forte. “Já li sobre a vida de homens bons”, você diz, “e não sou como eles”. Devo dizer por quê? Porque a vida deles não foi inteiramente escrita; mas, quando o Espírito Santo escreve sobre a vida de um homem, ele diz tudo (Charles Spurgeon – Conforto aos que são alvo de tentação).

Não precisamos gostar de “correr” em circunstâncias adversas (Pv 22:24,25), mas podemos ser bons corredores de pistas molhadas, ou seja, sermos bons naquilo que mais falhamos, e nos alegrarmos quando a pista estiver molhada, pois a nossa força não está em nós mesmos, mas em reconhecermos nossas fraquezas para que com o auxílio do Senhor possamos suportar as adversidades, provações e tentações com perseverança e paciência com alegria, no silêncio e na confiança (Colossenses 1:11; Isaías 30:15), podemos ser aperfeiçoados em nossas fraquezas pelo poder de Deus (2 Co 12:9).

Se hoje você é uma pessoa que facilmente se ira, você pode, em Cristo, se tornar um pacificador; assim como um covarde, pode se tornar um corajoso e um incrédulo pode se tornar um crente, e etc.

“Diz o Soberano Senhor, o Santo de Israel: "No arrependimento e no descanso está a salvação de vocês, na quietude e na confiança está o seu vigor...”
(Isaías 30:15)

“...vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra, crescendo no conhecimento de Deus e sendo fortalecidos com todo o poder, de acordo com a força da sua glória, para que tenham toda a perseverança e paciência com alegria”
(Colossenses 1:10,11)

“Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte”
(2 Coríntios 12:10)

“Será que você não sabe? Nunca ouviu falar? O Senhor é o Deus eterno, o Criador de toda a terra. Ele não se cansa nem fica exausto, sua sabedoria é insondável. Ele fortalece ao cansado e dá grande vigor ao que está sem forças. Até os jovens se cansam e ficam exaustos, e os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam bem alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam”
(Isaías 40:28-31)

O milagre no gelo: A importância do alinhamento

Em 1980 a equipe olímpica de hóquei dos Estados Unidos ficou conhecida como “o milagre no gelo” ao vencer a seleção soviética que acumulava ...