A ira
diz: “Você está errado, eu estou certo”. A ira é um disfarce para o medo
(Ed Welch). Quando lemos o livro do profeta Jonas, vemos ali que o maior medo de
Jonas era que Deus concedesse o perdão ao inimigo mais odiado de Israel antes
da Babilônia, ou seja, a Assíria. Quando o livro de Jonas foi redigido, essa
cidade era símbolo de crueldade, de violência e de hostilidade contra o povo de
Deus.
O
medo e o desejo são dois lados de uma mesma moeda, por exemplo, se uma pessoa
deseja dinheiro, terá medo da pobreza. Se ela almeja ser aceita, ficará
aterrorizada com a rejeição. Se uma pessoa teme a dor e o sofrimento,
terá desejo por conforto e prazer. Se ela deseja ser superior, terá medo
de ser inferior aos outros. No caso de Jonas vemos que o conforto era algo que
ele desejava e se alegrava muito (Jn 4:6), isso significa que o medo da dor
e o sofrimento eram também algo que ele temia. Este também por ter sido outro
motivo de sua fuga para Társis ao invés de ir para Nínive como Deus ordenou (Jn
1:3).
A ira é a
maneira que muitas pessoas lidam com o medo para poder obter o controle sobre
as pessoas e as circunstâncias. Muitas vezes deixamos de cumprir nossas
responsabilidades porque na preguiça nos tornamos escravos do nosso
conforto pessoal. O medo faz com que pensemos no futuro de modo pessimista, por
isso ficamos escravizados em um futuro terrível, fugindo de nossas responsabilidades. Muitas vezes deixamos de cumprir nossas responsabilidades
porque as coisas não aconteceram do jeito que nós esperávamos e a ira diz que
esta é maneira de encontrarmos controle neste mundo. A ira está conectada com o
nosso ressentimento que diz que “eu não aceito e não perdoo que as coisas não
tenham saído do meu jeito.
Jonas
quando estava no pior dos lugares, nas profundezas do mar, dentro do ventre de
um peixe, fez uma linda oração ao Senhor (Jn 2). Mas, quando estava no melhor
lugar, vendo uma cidade inteira se arrependendo e se prostrando perante Deus
ele fez a pior das orações (Jn 3 – 4). Sua
segunda oração veio de um coração cheio de raiva (Jn 4:1-5). Em sua
primeira oração ele clamou a Deus por socorro, mas sua segunda oração pediu para Deus lhe tirar a vida! Jonas preferia morrer
do que ter que ver o que não queria. Ele não queria ver a salvação dos seus
inimigos.
Na
esfera política, o candidato que toca nos nossos medos é o que vence. O
direitista toca na ameaça do comunismo, o esquerdista toca na ameaça da
“democracia” e por aí vai. Esses dias foi publicado um vídeo de um direitista dizendo
que iria deixar de entregar marmitex para uma família pobre porque a família
havia dito que iria votar em um candidato de esquerda. Se ajudamos somente
pessoas que compartilham da mesma opinião política, ou se passamos tempo
somente com pessoas que são da mesma idade, que gostam do mesmo tipo de música
e que compartilham de nosso gosto e preferências, em que somos diferentes do
mundo (Mt 5:43-48)? Que amor é este? Falhamos em atender ao mandado bíblico de
ser tudo para com todos, porque preferimos adotar somente a primeira expressão
sem a segunda (1Co 9:22). Queremos ser tudo somente para um determinado grupo
de pessoas que gostamos.
“Misericórdia
quero e não holocaustos” disse Jesus! (Mt 9:13). O oposto de um espírito de
medo é um espírito de amor. “No amor não existe medo” (1Jo 4:18). “O adversário
do temor é o amor. O amor dá de si mesmo, o temor é autoprotetor. O amor se
automovimenta em direção a outras pessoas; o temor as evita. No trato com o
temor, nenhuma coisa possui poder tão expulsivo como o amor” (Jay Adams).
Jonas
era um ótimo teólogo, mas um péssimo missionário. Ele conhecia os atributos de Deus,
e sabia que o Senhor era “Deus clemente, misericordioso, tardio em irar-se,
grande em benignidade e que arrepende do mal” (Jn 4:2). Ele sabia que se
anunciasse o julgamento a cidade de Nínive e aquele povo viesse a se
arrepender, Deus os perdoaria, e foi o que aconteceu.
Jonas
com seu patriotismo egoísta, considerava a Assíria apenas como um inimigo a ser
destruído, e não como um grupo de pecadores que precisavam se arrepender e
serem conduzidos ao Senhor. Os judeus queriam a destruição dos seus inimigos, e
quando soubessem que Jonas havia sido instrumento de Deus para salvação de uma
nação estrangeira e inimiga, ficariam irados com ele, pois o considerariam como
um traidor da política externa dos judeus.
No
Antigo Testamento, Israel não enviava missionários para evangelizar as nações. Quem
quisesse conhecer a Deus tinha que vir até Israel. Somente o profeta Jonas foi
enviado para Nínive, com o objetivo de mostrar que Israel não era tão bom assim,
ou seja, não eram misericordiosos e não concediam perdão.
Talvez
você esteja sentado confortavelmente como Jonas (Jn 4:5) olhando de longe para
aqueles que você deseja o juízo de Deus. Talvez você tenha desfrutado da
misericórdia e do perdão de Deus, mas não tem sido misericordioso para com eles
que ofenderam você. Não adianta procrastinar sua responsabilidade por
causa da sua preguiça e medo, e por causa de sua ira e ressentimento,
as coisas não vão acontecer do jeito que você quer, mas conforme a vontade de
Deus. Tem algo que você precisa fazer que ainda está fugindo (procrastinando)?
Vá e acerte!